Por, Derley Alves
(Professor de Filosofia do IFS)
O que é uma prévia? E uma prévia carnavalesca? Parece que deve ser
algo que antecipa outra coisa que virá, as duas sendo boas a prévia seria um
aquecimento sem comparação com a festa que dá sentido ao nome. Em Aracaju,
já tem um bom tempo que todo ano temos uma prévia do carnaval, o tal de
Pré-caju (ou a tal de Pré-caju). Festa privada que ocupa o espaço público,
desloca policiais, impede ciclistas, etc., etc., não preciso me estender sobre
os problemas de sempre e a inutilidade de sempre ao se apontar os tais
problemas. Como sempre acontece, o poder público não ouve anseios da população,
ou pelo menos certos anseios.
O que me causa espanto é que a prévia não antecipa coisa alguma,
não faz parte de um projeto de estímulo ao carnaval da cidade. Os turistas que
ela por ventura atrai, vem apenas pela prévia, não pelo carnaval. Quantos vão
para Salvador depois da prévia? Ali sim o carnaval que a nossa prévia antecipa!
Basta ver a programação para saber qual cultura a prévia divulga, basta ver o
nome dos blocos, enfim, trata-se de uma festa de divulgação do carnaval da
Bahia. Nesse sentido, nenhum finalidade cultural essa festa me parece cumprir.
Não se a referência for a cultura sergipana haja vista que o carnaval de rua
daqui, que aliás se enfraqueceu por conta dessa prévia, só recentemente tem
dado sinais de vitalidade com o retorno do rasgadinho.
Nosso Estado se tornou esquecido de si mesmo. As pessoas brincam,
celebram a cultura local, mas é muito comum isso depender muito mais de
iniciativas pessoais do que de algum estímulo, um ponta pé inicial para a
formação de uma cena consistente e um público consumidor. Por essas e outras
que essa é, na minha opinião, a festa perfeita para representar um Estado que
tende a esquecer de si e identificar-se com o outro mais forte e vigoroso como
parece ser o nosso caso.
Nossa grande festa é uma prévia. Prévia do quê? De nada! Ela se
esgota nela mesma, antecipa algo que não vem, afinal o carnaval que vem depois
dela não se liga à mesma culturalmente. Um Estado que se recusa a ser ele mesmo
só pode viver de prévias, antecipações do gozo alheio, de algo que não vem.
Prévia do nada. Pré-nada. O que espero com essa reflexão imperfeita? Nada.
Estou antenado com a festa.

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