Por, Saulo Henrique Souza Silva
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| Galeria de Artes Álvaro Santos, Praça Olímpio Campos (Centro de Aracaju). |
Naquela noite demasiadamente turva e estranha
Enquanto a chuva banhava caridosa a rua imunda,
E os transeuntes patinavam na calçada molhada,
No grande salão, “observadores” intelectualizados
Faziam caras e bocas olhando todos os quadros;
Nesse ínterim do ecoar dos burburinhos na exposição,
De longe, bem longe, propagava a suave canção...:
♫ “O quê mais ainda pode acontecer nessa noite?” ♫♫
Repletas de croquetes com recheio já frio e azedado
E vinho em taças sujas que exalava aroma (des) agradável.
— Garçom outra taça, embriagar-me-ei de vinho barato!
Enlevava um artista franzino trajando multicolorido
Que, junto à sua obra opaca, gesticulava descontrolado;
Enquanto isso, de bem longe, se ouvia a suave canção...:
♫ “O quê mais ainda pode acontecer nessa noite?” ♫♫
A cada instante o salão ficava mais cheio de todos os tipos
De senhoras dondocas com ares de falso conhecimento,
Àqueles que visitam esses salões por bebida e comida,
De artistas afetados a políticos risonhos e rechonchudos.
Nessa atmosfera estranha, estava taciturno em um canto
Observando todos os tipos e o vai e vem das bandejas,
E então, logo me veio à mente aquela canção tão repetida:
♫ “O quê mais ainda pode acontecer nessa noite?!” ♫♫♫



Um comentário:
Maravilha! Isto é o que posso chamar de retrato realista em versos livres.
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