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quarta-feira, 12 de junho de 2024

BALADA DO HOMEM SEM DEUS

 Versão original de Agostinho dos Santos, adaptação de Marcelo Primo


Imagem de domínio público 


Oh, deus que há tanto tempo,

Eu tenho andado a ignorar,

Conheço-te de nome,

De ouvir dizer, jamais ver nem amar,

Vejo em tuas supostas obras,

O céu, a terra,

O sol e o mar,

O choro da criança,

Desesperança, sem findar.

 

Oh, deus, deus por favor,

Prefiro estar na descrença,

Oh deus, não sou dos teus,

Mostrando em mim, tua ausência.

 

Oh, deus, deus por favor,

Prefiro estar na descrença,

Oh Deus, não sou dos teus,

Mostrando em mim, tua ausência.


 


sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

quarta-feira, 6 de maio de 2020

RIMBAUD

De Marcelo Primo 
[Arthur Rimbaud encrier, de Van Den Bosch]
Furor poético, furor prático,
Anseio por um mundo não-estático,
Tensão amorosa, tensão familiar,
Entre as armas e o criar,
Típica temporada no inferno,
Onde absolutamente nada é terno.

segunda-feira, 20 de abril de 2020

PIERRE BAYLE

Por Marcelo Primo

 
[Pierre Bayle]

Agnóstico, protestante, deísta?
Católico, pirrônico, incréu?
Surgiste para a Filosofia
Após um cometa pelo céu...

quinta-feira, 15 de maio de 2014

GRILHÕES


Por Saulo H. S. Silva

(Trabalho de autor desconhecido)

São diversos os grilhões que nos sufocam
Às vezes amarram as mãos e atam os pés
Outras prendem a consciência e o pensamento
Com resistentes correntes imperceptíveis.
Em ambos os casos, somos tomados de assalto,
Imobilizados por diversos tipos de cadeados
Que, quando prendem demasiado nosso corpo,
Dar um passo à frente é tarefa muito difícil.
Porém, mais sútil e tenaz é o que encerra o pensar!
Desde então, nem se percebe que se está preso
E o pensamento cativo apenas observa a vida...
Passando por entre os dedos que mesmo libertos
Não consegue tomar para si seu próprio destino.  

sábado, 15 de março de 2014

SEU CLONE


Allan Tenório Bastos de Oliveira



[Ismael Nery, o Luar (1925). Fazendo uso da técnica de óleo sobre
cartão, este quadro de Nery mostra a simbiose de dois seres,
cuja amálgama desdenha a dor e os sentimentos].  


Hoje estou sem sentimentos
Sem lamentos
Sem sofrimentos
Sem tormentos.

Hoje me tornei seu clone
Um cone
Sem nome
Que não come.

Hoje não vivi por você
Sem sofrer
Sem temer
Sem te querer.

Hoje me tornei uma pedra
Que se quebra
Sua trégua
Minha queda.

Hoje me tornei você
Sem chorar
Sem amar
Sem sonhar.


segunda-feira, 4 de novembro de 2013

PARA FAZER POESIA


Por MAÍRA MAGNO




Para fazer poesia,
É preciso viver profundamente.
É preciso amar com ardor,
É preciso ser carente!
São necessários 2 copos de fel
E meia dúzia de coragem,
É preciso ódio, é preciso vaidade,
Tem que viver à sombra e à luz!
É preciso ter o peito cheio de dor
E os olhos encharcados de alegria,
Para fazer poesia,
Não apenas a pena e o papel,
Mas noites em leito de seda
E beijos em lábios de mel!
Para ser poeta, antes de tudo,
É preciso ser sonhador,
Tem que bater com um sorriso,
Tem que pisar na flor.
Para fazer poesia tem que ser humano,
Sentir cada curva desta vida
Como um perfeito deserto plano,
E amar quando puder,
Odiar na medida do necessário.
Tem que ser inteligente,
Ser um pouco otário!
Assim, normal, como todo mundo,
Mas com a ideia na cabeça e uma pena na mão,
Manchar o papel com a tinta que brota do coração!

domingo, 16 de junho de 2013

NESTA VIDA APRENDI TUDO/NADA APRENDI




Por: Allan Tenório Bastos de Oliveira



Cena antológica do filme "O Sétimo Selo" (1956) do cineasta sueco Ingmar Bergman.



N e s t a   v i d a   a p r e n d i   d e   t u d o,
     A p r e n d i   a   t r a b a l h a r,
          D e s a c r e d i t a r   t a m b é m   a p r e n d i
               A p r e n d i   a   o d i a r.

                   A p r e n d i   a   s o f r e r
                    P r e s o   a p r e n d i   a   e s t a r                                       
                       R e c u a r   a p r e n d i  
                         E u   a p r e n d i   e   q u a n t o   a   v o c ê?
                            N e s t a   v i d a   a p r e n d i   a   t e r   e   a   p e r d e r
                             D i z e r   q u e   a m o   n ã o   a p r e n d i   a   d i z e r
                               I r   e m b o r a   i s s o   a p r e n d i   a   f a z e r.    



 

segunda-feira, 22 de abril de 2013

D E S A C R E D I T A D O



Por, Allan Tenório Bastos de Oliveira.



A poesia da América (inacabada), 1943. 
Óleo sobre tela por Salvador dali (1904-1989) 


D e s a c r e d i t a d o   c o m   t u d o,
D e s a c r e d i t a d o   c o m   o   m u n d o,

D e s - c r e d i t a d o.


C r e d i t a d o   c o m   t u d o,
C r e d i t a d o   c o m   o   m u n d o,

C r e d i t a d o - d i z:


D e s c r é d i t o   c r é d i t o   c o n d i z,
C o n d i z   c r é t i d o.

D e c r é p i t o.





domingo, 31 de março de 2013

O FIM DO CREPÚSCULO



Por, Saulo Henrique Souza Silva





A nebulosidade da noite às vezes é muito longa
Obscurece com seu crepúsculo todo o horizonte
E nos deixa demasiadamente cegos, obnubilados,
Tateando trilhas em meio às sombras da incerteza.
Assim a escuridão impiedosa subtrai toda a luz,
Encerra o saber dentro de sua caverna caótica;
Ocultado o belo, nos impõe o reino do efêmero,
Circunstância que despreza quaisquer certezas!
Mas a própria efemeridade do mundo das sombras
Dá lugar ao porvir renitente, quase providencial,
E de repente a luz reaparece como uma fênix.
Só então é possível divisar as coisas com nitidez, 
Chegamos ao fim da cegueira, do delírio terrível;
Ao cabo, a realidade tornou-se bela e inteligível!  




domingo, 17 de junho de 2012

MEMÓRIA DE UMA VERNISSAGE



Por, Saulo Henrique Souza Silva


Galeria de Artes Álvaro Santos, Praça Olímpio Campos (Centro de Aracaju). 

Naquela noite demasiadamente turva e estranha
Enquanto a chuva banhava caridosa a rua imunda,
E os transeuntes patinavam na calçada molhada,
No grande salão, “observadores” intelectualizados  
Faziam caras e bocas olhando todos os quadros;
Nesse ínterim do ecoar dos burburinhos na exposição,
De longe, bem longe, propagava a suave canção...:
♫ “O quê mais ainda pode acontecer nessa noite?” ♫♫
                     
Galeria Floripa Loft I (Centro de Florianópolis)
                              Finalmente, vêm as aguardadas primeiras bandejas,
                              Repletas de croquetes com recheio já frio e azedado
                              E vinho em taças sujas que exalava aroma (des) agradável.
                              ­— Garçom outra taça, embriagar-me-ei de vinho barato!
                              Enlevava um artista franzino trajando multicolorido
                              Que, junto à sua obra opaca, gesticulava descontrolado;
                              Enquanto isso, de bem longe, se ouvia a suave canção...:
                              ♫ “O quê mais ainda pode acontecer nessa noite?” ♫♫
                              A cada instante o salão ficava mais cheio de todos os tipos
                              De senhoras dondocas com ares de falso conhecimento,
                             Àqueles que visitam esses salões por bebida e comida,
                             De artistas afetados a políticos risonhos e rechonchudos.
                             Nessa atmosfera estranha, estava taciturno em um canto
                             Observando todos os tipos e o vai e vem das bandejas,
                              E então, logo me veio à mente aquela canção tão repetida:
                           ♫ “O quê mais ainda pode acontecer nessa noite?!” ♫♫♫  



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