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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

DIGA

Por, Ckelly Akin


[Canto 24 da Divina comédia, (obra prima de Dante Alighieri):
"Ladrões torturados por serpentes na sétima vala do Malebolge".
Ilustração de Gustave Doré (séc XIX)]
O preconceito vai além da raça,
A hipocrisia é o que condena a massa,
O sofrimento, tentamos esconder,
A violência faz medo,
A miséria e a fome não queremos ver!

A compaixão vai além de mim,
A desordem é o que se ver aqui.
Vivemos numa guerra onde não acaba mais,
As crianças brigam por guerra
E os adultos imploram por paz.

Vivemos nas garras da impunidade:
(e a primeira vista)
A morte é a única saída.
Vivemos nas garras da impunidade,
(e a primeira vista)
Onde está a saída?
DIGA!

Viver é fácil pra você
Se fecha os olhos e não quer ver,
Essa sociedade é normal?
Pois vivemos nela uma história real!
O que prefere? Esquecer?

A decadência humana ou o romance da TV?
O que dá para resistir?
A generosidade ou um convite para sair daqui!

domingo, 15 de setembro de 2013

QUERIA SIMPLESMENTE NÃO MAIS SENTIR


Por Rosana Costa

(Foto de autor desconhecido)



Era insuportável.
Caminhava com os pés descalços ao longo da praia. O sol já se escondia no horizonte... A impressão que possuía era de que a luz do dia se apagava nas águas do mar. Sentiu-se melancólica. Tão triste e fraca que não mais conseguia caminhar. Parou lentamente, virou-se de frente ao mar e sentou na areia da praia.
Estranha.  Estranha a tudo! Tudo lhe parecia fora de foco. Seu corpo parecia pesado demais. Sua respiração estava difícil: começou a respirar fundo, sentindo assim o gosto de sal do mar em sua garganta e tentando pensar em nada. Mas, não conseguia. Uma nuvem de memórias e sensações a cercava, sufocando-a. Seria possível esquecer? Poderia viver normalmente com as memórias que guardava? Ansiava por ajuda... Por apoio, mas não sabia como pedir, a quem pedir, só conhecia o porquê do pedir.
Sorriu. Um sorriso sério, carregado de culpa e desespero. Fixou o olhar nas águas alaranjadas do mar. E, por um momento, desejou que sua luz se apagasse do mesmo modo. Queria simplesmente não mais sentir, mas não sabia se seria ela mesma quando finalmente conseguisse isso. Abaixou o olhar. Percebeu-se de seu corpo e mais uma lembrança forte a invadiu. Tão intensa... Tão clara... Que reviveu o momento, e as lágrimas simplesmente surgiram. Mas o alívio não veio! Sentia-se repleta de dor, culpa e autocrítica; e, ao mesmo tempo, dolorosamente vazia. Por vezes conseguia distrair-se. Conseguia inclusive ser feliz e esperançosa em diversos momentos, mas nada duradouro. Bastava uma palavra, uma ação ou olhar negativo de outrem pra sentir que o bem estar, tão demoradamente conquistado, ia embora.
Resolveu parar de pensar sobre o assunto que tanto a perturbava e sentir o que estava ao seu redor. Concentrou-se na areia meio úmida, na linha de luz que ainda restava sobre o mar, nos casais que passavam caminhando e conversando próximo às ondas que se extinguiam na areia revolta da praia. Observava as coisas simples. As coisas que não mudam.  Começou a pensar que, apesar de quieto e aconchegante, não conseguiu se acalmar.



terça-feira, 2 de julho de 2013

O SOFRIMENTO E A CRIANÇA


Por, Clara Angélica Porto

(Originalmente publicado no Jornal a Cruzada da Faculdade Católica de Filosofia de Sergipe por iniciativa da professora Carmelita Fontes. Na época sua autora tinha 9 anos de idade e era aluna da 1ª série ginasial  do Ginasio de Aplicação (hoje Colégio de Aplicação da UFS).

 


Era uma noite de inverno. O vento soprava suave... Nuvens espessas cobriam a lua. Estava tudo escuro. E aquela criancinha caminhava em direção ao mar. As ondas batiam sem piedade nas rochas e o barulho era ensurdecedor. Chegando a um certo local, a criança parou com os olhinhos arrasados de água, olhando furtivamente o mar.
Por que seria? Por que esta criança tão pequenina tinha aquele olhar de sofrimento? Por quê? Essa era a resposta que ninguém poderia dar... De repente ouviu-se um grito. As águas estavam cobertas de sangue e um corpinho flutuava...





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