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quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

DIGA

Por, Ckelly Akin


[Canto 24 da Divina comédia, (obra prima de Dante Alighieri):
"Ladrões torturados por serpentes na sétima vala do Malebolge".
Ilustração de Gustave Doré (séc XIX)]
O preconceito vai além da raça,
A hipocrisia é o que condena a massa,
O sofrimento, tentamos esconder,
A violência faz medo,
A miséria e a fome não queremos ver!

A compaixão vai além de mim,
A desordem é o que se ver aqui.
Vivemos numa guerra onde não acaba mais,
As crianças brigam por guerra
E os adultos imploram por paz.

Vivemos nas garras da impunidade:
(e a primeira vista)
A morte é a única saída.
Vivemos nas garras da impunidade,
(e a primeira vista)
Onde está a saída?
DIGA!

Viver é fácil pra você
Se fecha os olhos e não quer ver,
Essa sociedade é normal?
Pois vivemos nela uma história real!
O que prefere? Esquecer?

A decadência humana ou o romance da TV?
O que dá para resistir?
A generosidade ou um convite para sair daqui!

sábado, 25 de outubro de 2014

APÁTRIDA


Por, Saulo H. S. Silva

(Trabalho de autor desconhecido)

Há tempos perdi a noção das fronteiras,
Das convenções e sotaques que separam
Os homens de si mesmos por bandeiras
Onde as cores do sectarismo flamulam.

Assumi como minhas todas as línguas,
Cuja naturalidade o mundo povoam,
Mas não dividem os homens em pátrias
Beligerantes que se odeiam e digladiam.

Porque é a Terra a minha nação amada,
E o nacionalismo enfadonho eu desprezo
Como uma opinião chula e interessada.

Assim, sou como um verdadeiro apátrida,    
E o olhar internacionalista que tanto prezo
Deve desdenhar costumes, cores e língua!  

sábado, 23 de março de 2013

MUITO OBRIGADA



Por, Maíra Magno


Tela A primeira bailarina  do pintor francês Edgar Degas (1834-1917)

Muito obrigada, eu não quero o seu deus, a realidade já me basta.
Muito obrigada, eu não quero a imortalidade, uma existência já me basta.
Muito obrigada, eu não quero a perfeição, meus defeitos já me bastam.
Muito obrigada, eu não quero a sua Bíblia, os meus livros já me bastam.
Muito obrigada, eu não quero o seu medo, minha coragem já me basta.
Muito obrigada, eu não quero os seus dogmas, meu ceticismo já me basta.
Muito obrigada, eu não quero as suas regras, minha liberdade já me basta.
Muito obrigada, eu não quero os seus conselhos, minhas tentativas já me bastam.
Muito obrigada, eu não quero as sua orações, minhas atitudes já me bastam.
Muito obrigada, eu não quero seus sacerdotes, meus ídolos já me bastam.
Muito obrigada, eu não quero sua crença, minha inteligência já me basta.
Muito obrigada, eu não quero o seu exemplo, minha vida já me basta.
Muito obrigada, eu não quero os seus santos, meus amigos já me bastam.
Muito obrigada, eu não quero o seu pudor, a minha luxuria já me basta.
Muito obrigada, eu não quero a sua vergonha, a minha libertinagem já me basta.
Muito obrigada, eu não quero os seus anjos, os seres humanos já me bastam.
Muito obrigada, eu não quero os seus hinos, o canto dos pássaros já me basta.
Muito obrigada, eu não quero a sua luz, a penumbra já me basta.
Muito obrigada, eu não quero a sua salvação, na verdade nem me sinto perdida.
Me desculpe, mas eu não quero nada além da minha existência falha, humana e finita!

sábado, 23 de fevereiro de 2013

CARNE, OSSOS E CARTILAGENS



Por, Saulo Henrique Souza Silva


Pintura do inglês William Hogarth (1697-1764)


Eu sou demasiadamente homem
Sou carne, sou ossos e cartilagens,
Sentimentos, raivas e angustias.
Sou a vaidade, às vezes o desânimo!

Eu sou completamente matéria
E espero estar bem certo disso,
Pois desprezo a ideia do espírito,
Quero somente a plenitude do agora!

De que me vale todas as falsas ideias,
O confabular renitente com o imprevisto?
Não sou luz, nem sou trevas ou nevoeiro:
Eu quero sim é dos rótulos estar liberto!

Afinal, de que me vale tantas vãs palavras,
Quando a morte não margeia minha porta?
Não sou a empáfia, sou adepto do razoável:
E aquilo que me desperta é meu único alvo!




terça-feira, 1 de novembro de 2011

ATEÍSMO

A imagem acima fez parte da campanha atheist bus que ocorreu
na  Inglaterra  e  estampou as laterais de vários  ônibus  de
Londres  a frase:  "Deus provavelmente não existe.
Agora  pare  de  se  preocupar e goze a vida”. A
poesia abaixo, de certa maneira, retrata esse
momento da consciência ateísta.




Alteridade

Temperança

Equilíbrio



Inteligência

Sabedoria

Moralidade

Orgulho

(Por, Marcelo Primo)

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

GUERRA

Por, Saulo  H  S Silva



A unidade se faz na diversidade,
Como corpos disputando o espaço,
Como duas paixões antagônicas.
Qual deles ocupará o espaço?
Qual paixão dominará o espírito?
Sem definição não há paz
Apenas guerra, confusão!
Qual o resultado do conflito?
No indivíduo é a personalidade,
Entre os indivíduos a sociedade!



sexta-feira, 9 de setembro de 2011

“DEUS, QUE SERÁ DE TI QUANDO EU MORRER?”




Por Saulo H S Silva





Como já questionava o poeta de Praga:
“Deus, que será de ti, quando eu morrer?”
De fato, essa é uma questão tão delicada
Que o entendimento vulgar nunca irá conceber.


Afinal, quando eu morrer, que será de meu Deus?
Quem derramará sangue e fará guerra acontecer?
E os cultos, as doutrinas, as liturgias, essas fantasias
.... Que tanto lhe agrada, quem irá oferecer?

Oh! Deus, eu tenho tanto medo que tu te morras comigo,
Que sejas enterrado na mesma cova em que meu corpo couber.
Afinal, como tu perpetuarás nessa existência sem o Homem?
Aquele que reza como um ignaro medroso sem a ti conhecer!  

Deus, meu Deus! Andei usando a minha razão esses dias...
E, de repente, um grande vazio tomou o meu desprezível ser.
Suei frio, chorei, porque percebi que sem mim tu jamais existirias
Fora eu quem te criei, tu brotaste de mim, comigo irás morrer!


sábado, 6 de agosto de 2011

CANTO À DEUSA REVOLTA




Por Saulo H S Silva



Obra "A revolução" do Expressionista alemão Ludwig Meinder (1884-1966)
Deusa Revolta,
Afaste-me do conformismo.
Não me deixe ser idiota,
Deusa Revolta!


A calar-me inerte e incapaz,
Que eu prefira falar, gritar, denunciar...
Livre-me Deusa Revolta do sono fugaz,
Torne-me um homem audaz.

Livre-me, igualmente, da felicidade enganosa,
Que me faz ver o mundo envolto em sombras
Com o olhar quieto de uma criança medrosa.


Proteja-me também das alienações:
Da aculturação ridícula, da religião de sanguessugas,
De toda sorte de assombrações, das alucinações...


Vigiai-me Deusa Revolta!

terça-feira, 19 de julho de 2011

Razão


Por Saulo Henrique Souza Silva



Foto da expolsão da bomba atômica em Hiroshima (Japão).




Certo dia a Sophia
Encontrou a Philía
E foi exaltada a razão!
Mas a razão é um instrumento,
Tal qual uma faca:
Pode cortar um pão,
Dividir um tomate
Ou apunhalar o coração!
 

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