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quarta-feira, 12 de junho de 2024

BALADA DO HOMEM SEM DEUS

 Versão original de Agostinho dos Santos, adaptação de Marcelo Primo


Imagem de domínio público 


Oh, deus que há tanto tempo,

Eu tenho andado a ignorar,

Conheço-te de nome,

De ouvir dizer, jamais ver nem amar,

Vejo em tuas supostas obras,

O céu, a terra,

O sol e o mar,

O choro da criança,

Desesperança, sem findar.

 

Oh, deus, deus por favor,

Prefiro estar na descrença,

Oh deus, não sou dos teus,

Mostrando em mim, tua ausência.

 

Oh, deus, deus por favor,

Prefiro estar na descrença,

Oh Deus, não sou dos teus,

Mostrando em mim, tua ausência.


 


sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

quarta-feira, 6 de maio de 2020

RIMBAUD

De Marcelo Primo 
[Arthur Rimbaud encrier, de Van Den Bosch]
Furor poético, furor prático,
Anseio por um mundo não-estático,
Tensão amorosa, tensão familiar,
Entre as armas e o criar,
Típica temporada no inferno,
Onde absolutamente nada é terno.

segunda-feira, 20 de abril de 2020

PIERRE BAYLE

Por Marcelo Primo

 
[Pierre Bayle]

Agnóstico, protestante, deísta?
Católico, pirrônico, incréu?
Surgiste para a Filosofia
Após um cometa pelo céu...

sábado, 18 de abril de 2020

DE NICOLAS BOILEAU: CANÇÃO PARA BEBER

Poemas de Nicolas Boileau  (1636-1711) 


(Cartoon de Daniel Luiz, inspirado em Le buveur d'absinthe - Jean D'Esparbes)  


I - CANÇÃO PARA BEBER QUE FIZ COM 17 ANOS QUANDO SAÍ

DO MEU CURSO DE FILOSOFIA
[1]
(1653)
Filósofos sonhadores, que pensam tudo saber,
Inimigos de Baco, entrem em serviço:
Vossos espíritos estão mergulhados no vício,
Vão, velhos loucos, vão aprender a beber.

Se é preciso rir ou cantar em um festim,
Um doutor então acaba com o seu latim:
Um glutão tem toda a glória
Vão, velhos loucos, etc.


II – CANÇÃO PARA BEBER
(1653-1656)

sexta-feira, 27 de março de 2015

POR TUDO E POR NADA

Por Saulo H. S. Silva
(Para Maria Ivete de Souza Vinicius)
(Foto de 2012, acervo próprio)
             De dentro de ti eu saí por mundo bem pequenino
E logo tu ouviste meus primeiros sopros de vida,
Naquela madrugada do primeiro dia de agosto.
Desde então, nossos destinos foram interlaçados
Pelo amor e pelo desafio de aceitar o oposto.
Afinal, éramos tão iguais quanto heterogêneos.
E assim passou tão depressa o nosso tempo...
Que hoje só queria rapidamente poder retrocedê-lo
À aurora de nossas vidas: bela, verdadeira e curta!
Fomos mais felizes quando nossas divergências
Se enfraqueceram pela força conciliatória do amor.
Pois, cuidar de ti era tarefa que impus ao meu destino,
Queria retribuir a tudo que fizera por um ser tão teimoso
Quanto  este renitente que tais versos sofridos escreve.
E assim qualquer dor que por acaso te acometesse
Também era a minha dor, meu verdadeiro sofrimento.
Provavelmente nunca amei alguém tão desinteressado!
Simplesmente, ligava quase todos os dias com o anseio
De ouvir sua vozinha dizendo: está tudo bem meu filho!
E aquela voz era o remédio que me trazia a paz de cada dia.
Mas, quis a fortuna ingrata e traiçoeira que nos meus braços
Aquela mãezinha que meu deu a vida partisse da vida
E o meu choro que ela ouviu no momento da natalidade
Dela também ouvi, mas era triste e misturado às derradeiras palavras.
Fora a dor mais cruel, implacável e indescritível que já senti!
Como se parte de mim morresse também naquele instante.
Porém mãezinha, eu não guardarei comigo esse momento.
 Ficarei com a eterna imagem de sua alegria sincera
E dos teus aconselhamentos sérios e verdadeiros.
Guardar-te-ei, Dona Ivete, como tu eras: feliz, verdadeira e honesta.
E se de fato existir uma outra vida além desta que ainda vivo,
Como se apregoa desde o tempo dos sábios antigos,
Espero que no momento em que eu “passar dessa para melhor”
Seja a senhora que me conduza à nossa nova morada.
Afinal, o amor superar tudo, inclusive a sua ausência!

quinta-feira, 15 de maio de 2014

GRILHÕES


Por Saulo H. S. Silva

(Trabalho de autor desconhecido)

São diversos os grilhões que nos sufocam
Às vezes amarram as mãos e atam os pés
Outras prendem a consciência e o pensamento
Com resistentes correntes imperceptíveis.
Em ambos os casos, somos tomados de assalto,
Imobilizados por diversos tipos de cadeados
Que, quando prendem demasiado nosso corpo,
Dar um passo à frente é tarefa muito difícil.
Porém, mais sútil e tenaz é o que encerra o pensar!
Desde então, nem se percebe que se está preso
E o pensamento cativo apenas observa a vida...
Passando por entre os dedos que mesmo libertos
Não consegue tomar para si seu próprio destino.  

sábado, 15 de março de 2014

SEU CLONE


Allan Tenório Bastos de Oliveira



[Ismael Nery, o Luar (1925). Fazendo uso da técnica de óleo sobre
cartão, este quadro de Nery mostra a simbiose de dois seres,
cuja amálgama desdenha a dor e os sentimentos].  


Hoje estou sem sentimentos
Sem lamentos
Sem sofrimentos
Sem tormentos.

Hoje me tornei seu clone
Um cone
Sem nome
Que não come.

Hoje não vivi por você
Sem sofrer
Sem temer
Sem te querer.

Hoje me tornei uma pedra
Que se quebra
Sua trégua
Minha queda.

Hoje me tornei você
Sem chorar
Sem amar
Sem sonhar.


quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

PALAVRAS


Saulo Henrique Souza Silva



As palavras escaparam logo cedo
Titubeantes como um ébrio fugitivo
Cuja liberdade tanto ausente vacila,
Mas são sinceras como um íntimo amigo.
E os versos que constroem são porta-vozes
De sentimentos vivos, porém escondidos...
Que vêm do centro deste enorme turbilhão
De paixões que minh'alma traz consigo!

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

CRÔNICA DOS DIAS




Por Saulo Henrique Souza Silva

Parte I



[Mesa Com livros abertos]



Às 5 horas da manhã chuvosa,
 Quando a ventania força a janela
E os primeiros olhares ao redor,
Ainda bastante embaçados da noite,
Veem os livros devidamente abertos
 Nas páginas que sucedem os dias.




 

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