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quarta-feira, 11 de abril de 2018

SE A VIDA QUISER

Por Saulo H. S. Silva



[Obra La Source de Gustave Courbet)

Se um dia a vida quiser,
Poderia te ver novamente,
Imagino que estejas diferente,
Mais bela ou mesmo indiferente.

De todo modo, é a sua existência que me comove.
As marcas que te torna sempre presente,
Como um rio de lembranças intermitente
Que insiste em projetar-se à minha mente.

Pois, como todo poeta tem uma Musa,
Comigo não poderia ser diferente,
De minha inquietação você nunca está ausente!



sexta-feira, 27 de março de 2015

POR TUDO E POR NADA

Por Saulo H. S. Silva
(Para Maria Ivete de Souza Vinicius)
(Foto de 2012, acervo próprio)
             De dentro de ti eu saí por mundo bem pequenino
E logo tu ouviste meus primeiros sopros de vida,
Naquela madrugada do primeiro dia de agosto.
Desde então, nossos destinos foram interlaçados
Pelo amor e pelo desafio de aceitar o oposto.
Afinal, éramos tão iguais quanto heterogêneos.
E assim passou tão depressa o nosso tempo...
Que hoje só queria rapidamente poder retrocedê-lo
À aurora de nossas vidas: bela, verdadeira e curta!
Fomos mais felizes quando nossas divergências
Se enfraqueceram pela força conciliatória do amor.
Pois, cuidar de ti era tarefa que impus ao meu destino,
Queria retribuir a tudo que fizera por um ser tão teimoso
Quanto  este renitente que tais versos sofridos escreve.
E assim qualquer dor que por acaso te acometesse
Também era a minha dor, meu verdadeiro sofrimento.
Provavelmente nunca amei alguém tão desinteressado!
Simplesmente, ligava quase todos os dias com o anseio
De ouvir sua vozinha dizendo: está tudo bem meu filho!
E aquela voz era o remédio que me trazia a paz de cada dia.
Mas, quis a fortuna ingrata e traiçoeira que nos meus braços
Aquela mãezinha que meu deu a vida partisse da vida
E o meu choro que ela ouviu no momento da natalidade
Dela também ouvi, mas era triste e misturado às derradeiras palavras.
Fora a dor mais cruel, implacável e indescritível que já senti!
Como se parte de mim morresse também naquele instante.
Porém mãezinha, eu não guardarei comigo esse momento.
 Ficarei com a eterna imagem de sua alegria sincera
E dos teus aconselhamentos sérios e verdadeiros.
Guardar-te-ei, Dona Ivete, como tu eras: feliz, verdadeira e honesta.
E se de fato existir uma outra vida além desta que ainda vivo,
Como se apregoa desde o tempo dos sábios antigos,
Espero que no momento em que eu “passar dessa para melhor”
Seja a senhora que me conduza à nossa nova morada.
Afinal, o amor superar tudo, inclusive a sua ausência!

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

TENTAÇÕES DE UM PAGÃO

Por Saulo H. S. Silva


(Obra de Salvador Dalí: "A Tentação de Santo Antônio "- Óleo sobre tela - 1946)

Se eu fosse um teísta cristão,

     Chamar-te-ia de pura perdição,

O apetite da alma malsã,

A mais desvairada tentação!

Porém, como sou  reles pagão,

Chamo-te somente paixão,

Minha louca e bela danação,

Teu contorno é inebriante visão!

Então, peço-lhe tuas mãos

Para que me conduza na direção

Que me cause maior alucinação,

Além de todo tipo de satisfação.

Retire-me da solidão,

Tome este ululante coração,

A pulsar de forte emoção,

E ofegante respiração.

Liberte-me desse mundo cão,

Inebriando-me de paixão,

Ébrio de deleite e prazer, 

Entregue à sua diversão!

É puro deleite estar preso às tuas mãos!


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