Por Saulo H. S. Silva
(Professor de Filosofia na UFS)
Hoje é 1º de maio, dia internacional d@ trabalhar/a. Sobre esse assunto, vos trago algumas reflexões.
Inicialmente, é preciso ter em mente que não existe qualquer
possibilidade de existência humana sem trabalho, sem os esforços das mãos e
engenhos dos povos.
O trabalho apropria o que a natureza nos dispõe, cria coisas novas,
envolve as sociedades em torno daquilo que por meio dele é produzido.
De modo que, sem trabalho não existe riqueza e nem produção das
necessidades de nossos dias. A prova mais evidente é que quando as mãos dos
trabalhadores param, o lucro do capitalista desaparece.
Pense em qualquer coisa que você utilize em sua vida, que está
utilizando agora... Pode ter certeza, foi produzido e pensado por alguém que
trabalha.
A burguesia fez de sua história a busca pela espoliação selvagem do
trabalhado alienado das populações empobrecidas, explorando-as à exaustão e em
condições quase servis. Jornadas longuíssimas no interior de fabriquetas e
oficinas insalubres, trabalho infantil, superexploração do trabalho das
mulheres, assédios, violências, ausência de direitos e garantias trabalhistas.
Em sua ânsia por acumulação de capital— por isso a denominação de
capitalistas—, a burguesia não só explora ao máximo a classe trabalhadora, mas
também a remunera de forma covarde.
E o salário do trabalhador seria como uma espécie de ração insuficiente
para comprar o mínimo necessário para uma existência digna. Esse é uma dos
aspectos mais cruéis dessa relação, o trabalhador vê na vitrina os produtos por
ele produzidos, mas que ele nunca poderá possuir.
Ações como greves e greves gerais, paralisações, as diversas formas de
protestos e reivindicações, formações de sindicatos e partidos operários são
frutos da emergência da consciência de si da classe trabalhadora e formas de
resistir à espoliação da riqueza produzida pelo suor do trabalhador/a.
Foram essas manifestações de consciência e resistência da classe
trabalhadora que conquistaram direitos, garantias e dignidade.
Neste dia internacional dos trabalhadores e trabalhadoras, nunca é
bastante lembrar que sua origem é justamente fruto de uma grande manifestação
na cidade de Chicago em 1º de maio de 1889. Manifestações justas, mas duramente
reprimidas pelas forças policias, os cães de guarda da burguesia. Essas
manifestações que se espalharam por diversos países fizeram avançar a
organização da classe trabalhadora com a criação do dia internacional dos
trabalhadores.
No Brasil, e em muitos lugares do mundo, temos vivido uma cruzada dos
capitalistas contra os direitos trabalhistas que humanizam as relações de
trabalho. Do golpista Governo Temer até o necrogoverno de Bolsonaro, os
trabalhadores e trabalhadoras brasileiras têm sido atacados com nunca, após a
redemocratização, sendo retirados um a um seus direitos e garantias
trabalhistas.
São conquistas históricas da classe trabalhadora brasileira após anos e
anos de lutas e repressões. Temos, portanto, um dever histórico de resistir a
mais essa espoliação, mesmo que pareça difícil e mesmo que estejamos sob a mira
das forças repressoras.

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