sexta-feira, 1 de maio de 2020

REFLEXÕES DO 1º DE MAIO


Por Saulo H. S. Silva 
(Professor de Filosofia na UFS)

["O quarto estado", obra do artista italiano Giuseppe Pellizza (1868-1907), põe em foco o proletariado, que entra em greve e ocupa a praça de Volpedo, na Itália, cidade natal do pintor. O quadro se tornou um símbolo da luta dos trabalhadores, que é comemorada no 1o. de maio].
Hoje é 1º de maio, dia internacional d@ trabalhar/a. Sobre esse assunto, vos trago algumas reflexões.
Inicialmente, é preciso ter em mente que não existe qualquer possibilidade de existência humana sem trabalho, sem os esforços das mãos e engenhos dos povos.
O trabalho apropria o que a natureza nos dispõe, cria coisas novas, envolve as sociedades em torno daquilo que por meio dele é produzido.

De modo que, sem trabalho não existe riqueza e nem produção das necessidades de nossos dias. A prova mais evidente é que quando as mãos dos trabalhadores param, o lucro do capitalista desaparece.
Pense em qualquer coisa que você utilize em sua vida, que está utilizando agora... Pode ter certeza, foi produzido e pensado por alguém que trabalha.
A burguesia fez de sua história a busca pela espoliação selvagem do trabalhado alienado das populações empobrecidas, explorando-as à exaustão e em condições quase servis. Jornadas longuíssimas no interior de fabriquetas e oficinas insalubres, trabalho infantil, superexploração do trabalho das mulheres, assédios, violências, ausência de direitos e garantias trabalhistas.
Em sua ânsia por acumulação de capital— por isso a denominação de capitalistas—, a burguesia não só explora ao máximo a classe trabalhadora, mas também a remunera de forma covarde.
E o salário do trabalhador seria como uma espécie de ração insuficiente para comprar o mínimo necessário para uma existência digna. Esse é uma dos aspectos mais cruéis dessa relação, o trabalhador vê na vitrina os produtos por ele produzidos, mas que ele nunca poderá possuir.
Ações como greves e greves gerais, paralisações, as diversas formas de protestos e reivindicações, formações de sindicatos e partidos operários são frutos da emergência da consciência de si da classe trabalhadora e formas de resistir à espoliação da riqueza produzida pelo suor do trabalhador/a.
Foram essas manifestações de consciência e resistência da classe trabalhadora que conquistaram direitos, garantias e dignidade.
Neste dia internacional dos trabalhadores e trabalhadoras, nunca é bastante lembrar que sua origem é justamente fruto de uma grande manifestação na cidade de Chicago em 1º de maio de 1889. Manifestações justas, mas duramente reprimidas pelas forças policias, os cães de guarda da burguesia. Essas manifestações que se espalharam por diversos países fizeram avançar a organização da classe trabalhadora com a criação do dia internacional dos trabalhadores.
No Brasil, e em muitos lugares do mundo, temos vivido uma cruzada dos capitalistas contra os direitos trabalhistas que humanizam as relações de trabalho. Do golpista Governo Temer até o necrogoverno de Bolsonaro, os trabalhadores e trabalhadoras brasileiras têm sido atacados com nunca, após a redemocratização, sendo retirados um a um seus direitos e garantias trabalhistas.
São conquistas históricas da classe trabalhadora brasileira após anos e anos de lutas e repressões. Temos, portanto, um dever histórico de resistir a mais essa espoliação, mesmo que pareça difícil e mesmo que estejamos sob a mira das forças repressoras.

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