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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2023

A TRANSPARÊNCIA DO MAL

 Por Marcelo Primo[1]

(Professor da UFS)




    Se quiséssemos ilustrar com fatos e imagens a epígrafe inaugural do livro de Jean Baudrillard intitulado A Transparência do Mal, que afirma com todas as letras que o mundo se encaminha para um estado delirante de coisas, daríamos a nossa contribuição para tal: apontando para o lamentável episódio ocorrido em Brasília protagonizado em 8 de janeiro passado por fanáticos maus perdedores que, simplesmente numa mistura de arroubo de estupidez, má fé e credulidade fizeram a nossa versão do Capitólio acontecido nos EUA em 2021. Atitudes extremas advindas de mentalidades e comportamentos extremos que culminaram numa das maiores vergonhas da história política do Brasil, sendo ventilada aos quatro cantos o caótico rescaldo fascista do pós-eleição que resultou num grotesco atentado contra a democracia. Dessa maneira, é bom estar sempre alerta acerca do que é possível fazerem quando se é motivado pelo mal: desrespeitar todas as fronteiras e limites do republicanismo e da civilidade em nome da tríade infame deus, pátria e família.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2023

O NORMAL E O PATOLÓGICO

 Por Marcelo Primo[1]

(Professor da UFS)




       Diante dos acontecimentos ocorridos no pós-eleição, fica difícil não concluir que ações de contestação do resultado das urnas não estejam imbuídos de uma certa patologia quase que crônica. Se pensarmos com Canguilhem, em seu livro O normal e o patológico, que ambas as noções não podem ser separadas umas das outras, isso foi demonstrado através de uma histeria, cegueira e paranoia coletivas quando simplesmente o que foi esperado por quase metade do país não aconteceu: a reeleição de um candidato cujo projeto político-psico-patológico arrastou o Brasil para o fundo do poço. Levo aqui em consideração os perigos e limites de uma psiquiatrização de determinadas atitudes, já que nessa leitura é defendido que são projetos de poder que estão em disputa e não poderiam ser reduzidos a meros casos clínicos, mas cortinas de fumaça que sempre jogam contra a democracia defendendo seus próprios interesses. Contudo, não dá pra negar certas esquisitices em alguns atos de maus perdedores movidos pela estupidez e ressentimento, os quais rechearam as manchetes de todos os espaços de comunicação por dias e semanas, servindo de caricatura para mostrar do que é capaz alguém que não aceita uma derrota.

terça-feira, 23 de agosto de 2022

O CASTIGO EDUCACIONAL

 Por Marcelo Primo1 

(Professor da UFS) 


Desde o mês de maio passado, lei e projetos na direção da aprovação do controverso homeschooling ganham força para a sua implementação, autorização e regulamentação aqui no Brasil, escancarando a desigualdade e dando livre curso a recursos jurídicos para que não seja oferecida uma educação pública minimamente decente. Foi aprovado em caráter de urgência na câmara dos deputados o Projeto de Lei no 2.401/2019 acerca da educação domiciliar por 264 votos a 144 e ainda podendo ser votado este ano no Senado Nacional. Tal celeridade só mostra o quanto grupos conservadores religiosos e políticos endossam e investem maciçamente no negacionismo científico e na deslegitimação pedagógica dos saberes necessários que devem ser ensinados nas escolas.

PARA QUE SERVEM AS ESCOLAS?

 Por Ivan Barbosa1 

(Professor da UFS) 


O título desse artigo é homônimo de um texto do sociólogo inglês da educação chamado Michael Young, arguto herdeiro de uma tradição intelectual, científica e política voltada para a realização do projeto inacabado da modernidade. A urgência de revisitar em pleno século XXI o projeto oitocentista de escolarização compulsória da juventude, que implica perguntar para que servem as escolas, decorre da necessidade de retomarmos um dos propósitos originários desta instituição que atualmente está sob os ataques e invasões do universo político conservador.

segunda-feira, 25 de julho de 2022

A QUEM INTERESSA SUCATEAR A UNIVERSIDADE PÚBLICA?

 Por Saulo Silva1 

 



A universidade pública vem sofrendo um amplo processo de sucateamento. É amplo porque é composto de um complexo de variantes e visa efeitos diversos, mas complementares.  Em aproximadamente seis anos, a universidade brasileira tem passado de ser o foco do interesse das pessoas em ingressar nessas instituições como uma forma de ascensão social, seja na área acadêmica ou profissional, por meio da aprendizagem de conhecimento de alto nível, para se tornar o alvo de grupos detratores poderosos. São eles, as elites empresariais e os setores reacionários da sociedade, este último multifacetado entre religiosos ignorantes, políticos autoritários e todo tipo de terraplanismo possível.

quinta-feira, 30 de junho de 2022

JUSTORTURA

 Por Marcelo Primo 

(Professor da UFS)


Fonte de pública

            Em uma frase capital de seu discurso a favor da legalização do aborto na França[1], Simone Veil constata algo que, infelizmente, ainda é fruto de uma mentalidade política, jurídica e religiosa generalizadas: “o aborto sempre é um drama e permanecerá um drama” (p. 17). Trazendo tal assertiva entre nós, o caso ocorrido no estado de Santa Catarina simplesmente ultrapassou todos os limites da ética e do bom senso. Chegou ao cúmulo da negligência jurídica quando simplesmente durante o processo foi ignorado ou omitido que toda e qualquer gravidez oriunda de violência sexual não é preciso levar em conta um prazo de tempo determinado para se interrompê-la.

terça-feira, 14 de junho de 2022

INFORMALIDADE E A PRECARIZAÇÃO DA EXPERIÊNCIA LABORAL: a necessária agenda das políticas públicas para o trabalho

 Por  Ivan Fontes Barbosa (DCS/UFS)   e   

           Vilma Soares de Lima (DCS/UFS)


Foto: André Moreira

Gera perplexidade quando nos deparamos com o conjunto de obstáculos que as políticas públicas relacionadas ao trabalho impõem aos comerciantes informais da cidade de Aracaju, em especial, alguns dos comerciantes da vulgarmente denominada praia da Cinelândia: os trabalhadores que comercializam na areia da praia são obrigados a desfazerem as barracas e retirarem as cadeiras e mesas todos os dias, enquanto que os donos de trailers são coagidos a manterem seus empreendimentos abertos 24 horas sob a pena de vê-los apreendidos.

terça-feira, 10 de maio de 2022

O OVO DA SERPENTE

Por Marcelo Primo  

(Professor da UFS)



Dentre a torrente de episódios cotidianos lamentáveis que estão acontecendo por todo o Brasil motivados e associados ao nazismo, vem-me à cabeça um filme que, nos momentos atuais, deve ser revisitado: a saber, O ovo da serpente, de Ingmar Bergman. Por vários caminhos e temas, podemos fazer uma clara associação à ascensão clara e grotesca de nazistas brazucas: fracasso industrial, desemprego, fome, enfraquecimento das instituições, inflação crescente, impunidade de assassinos, fanatismo religioso e político e propaganda xenofóbica/racista. A lista poderia estender-se cada vez mais dos resultados de ações oriundas de uma crise de identidade que assola o nosso país, traduzida por uso de suásticas e artefatos remetentes a um episódio desumano da história que jamais será esquecido: a Alemanha de Hitler. Uma coisa é certa: nunca procederá a acusação de que faltaram avisos para o perigo iminente da escalada vertiginosa do autoritarismo no Brasil e aqui cabe uma fala do filme supracitado através do personagem Hans Vergerus: “[...] qualquer um que fizer o mínimo esforço poderá ver o que nos espera no futuro. É como um ovo de serpente. Através das membranas finas pode-se distinguir o réptil já perfeitamente formado”. Vaticínio cinematográfico que vai na jugular daqueles que ainda fingem não ver o que está acontecendo...

segunda-feira, 18 de abril de 2022

AS TERRÍVEIS LEMBRANÇAS QUE JAMAIS DEVERÃO SER ESQUECIDAS: A DITADURA MILITAR E A CONTINUIDADE DO CAOS NO GOVERNO BOLSONARO

 Por Saulo H. S. Silva 

(Professor da UFS)



     No último dia 31 de março, o Brasil relembrou os 58 anos do fatídico golpe burgo-militar que impôs ao país um regime ditatorial, corrupto e sanguinolento que perseguiu partidos políticos, torturou e assassinou opositores ao autoritarismo fardado. A ditadura exilou artistas e políticos defensores da democracia e das pautas populares, reprimiu sindicatos, dissolveu o Parlamento, por pelo menos três vezes durante o período, e impediu a eleição de presidentes da república. Esse regime de exceção que durou até 1985 atormenta a memória de todos que conhecem um mínimo de história, ainda mais nesses anos de governo Bolsonaro. 

domingo, 17 de abril de 2022

QUANTO VALE OU É POR QUILO?

 Por Marcelo Primo

(Professor da UFS) 



         Valho-me hoje do título de um belíssimo filme do Sérgio Bianchi para ilustrar o que vimos há poucos dias ser feito pelos pastores que infestaram e ainda infestam o MEC. Eles simplesmente colocaram um preço na educação brasileira: um quilo de ouro. Propinas e negociações espúrias de toda sorte foram feitas pelos ditos religiosos compromissados com os rumos educacionais do nosso país e, somente agora, tais transações estão sendo alvo de investigação. Sempre priorizados pelo agora ex-Ministro da Educação em nome da amizade, não tiveram o menor escrúpulo em negociarem liberações de recursos, mesmo sem cargos nas pastas. Registros mostram que, pelos trâmites normais e regulares, recursos como esses podem demorar meses ou anos para serem liberados, mas, em contrapartida, com uma espécie de “toque de Midas” dos pastores as verbas levam, no máximo, dias para serem empenhadas. Os porta-vozes dos deuses cumpriram toda a sua agenda formal e, em troca de sua atuação no Ministério, apoiariam as igrejas. Um verdadeiro gabinete que operava nas sombras e que atraiu a atenção de parlamentares da oposição, culminando no recurso ao STF e à PGR e solicitação de abertura de CPI.

segunda-feira, 27 de setembro de 2021

NEGACIONISMO À BRASILEIRA

 Por Marcelo Primo* 




    Parafraseando Sêneca quando trata da questão da honra em um de seus Aforismos para a sabedoria de vida, Schopenhauer nos diz com todas as letras que “quanto mais alguém é desprezível e ridículo, tanto mais solta é a sua língua” (2002, p. 88). E em se tratando de refletirmos acerca da imagem do Brasil lá fora, uma coisa é certa: perante a comunidade internacional, quanto mais se profere com terríveis mentiras o que se passa por aqui ética, econômica e politicamente mais pioram os olhares já nada condescendentes com os caprichos comportamentais de nossos representantes.  Ainda à luz das teses de Schopenhauer, até quando insistirão num tipo mais barato de orgulho, que é o orgulho nacional de ser negacionista, quando tal postura revela toda a incompetência e empáfia daquele que, individualmente, é a persona responsável por tratar de tudo que esteja relacionado com o fortalecimento, prosperidade e autonomia da nação? Contudo, em episódios recentes, o que vimos foi mais uma série de impropérios e negacionismos que nos desalentam à medida que a nossa imagem lá fora derrete sucessivamente.

segunda-feira, 21 de junho de 2021

A POLÍTICA E A PRESERVAÇÃO DA VIDA

 Por Saulo H. S. Silva




      Caríssimos leitores e leitoras, imaginem a condição dos homens antes do surgimento das sociedades organizadas, com posições definidas, regras mais ou menos conhecidas, trocas comerciais e com o desenvolvimento de uma série de artes e ciências que aprofundaram os laços sociais. 

    Obviamente, é possível conjecturar que nem sempre os homens viveram em sociedades com essas características descritas acima; e também é possível demonstrar tais afirmações por meio das descobertas de investigadores da história do gênero humano.

quinta-feira, 15 de abril de 2021

O BRASIL NÃO É UM PAÍS SÉRIO

 Por Marcelo Primo* 

[Chanceler ignorante Ernesto Araújo]

   O título escolhido do podcast de hoje é uma frase comum e equivocadamente atribuída a Charles de Gaulle, quando na verdade foi proferida em off em 1962 pelo embaixador brasileiro em Paris Carlos Alves de Souza, autor do livro Um embaixador em tempos de crise. Tal frase se insere no contexto de um conflito diplomático envolvendo o Brasil e a França chamado pela imprensa de “Guerra da Lagosta” que concernia à questão de pesca ilegal de lagostas por embarcações francesas em águas do litoral do Nordeste brasileiro, episódio que ensejou até um samba chamado “A lagosta é nossa”, de Moreira da Silva. A opinião pública à época percebeu uma afronta da França à soberania territorial brasileira e, apesar de no desenrolar dos acontecimentos ambas as nações mostrarem todo o poder bélico que tinham para defenderem seus interesses, o conflito foi resolvido diplomaticamente.  

       Todavia, a despeito da verdadeira autoria desse ácido diagnóstico político, social, ético, moral, econômico e todos os aspectos que ele possa abarcar, leva-nos a pensar que, nesses tempos pandêmicos, seriedade em decisões acerca de questões fundamentais como a urgente necessidade de vacinação em massa, por exemplo, nunca fica em primeiro plano, e conduzir o país com maturidade e experiência exigidas de quem ocupa um cargo tão eminente é o mínimo esperado de uma política que ainda insiste em negacionismos que estão levando o país à beira do abismo. Nesse sentido, podemos ver como um equívoco da imprensa de há tempos acabou voltando à baila mostrando um Brasil a nu, sintetizando em uma sentença a postura de quem leva tudo a toque de caixa enquanto a população fica à míngua.

DA ORDEM CONSTITUCIONAL E DAS SENTENÇAS DOS JUÍZES

Por Saulo H. S. Silva*     


[Estátua vendada representando a justiça na frente do STF]

     O cenário político e jurídico brasileiro tem sido sacudido pelos escândalos e pelas recentes revisões dos trâmites processuais e sentenças proferidas pelo ex-juiz da Operação Lava Jato. Tendo esse movimento em vista, quero tecer alguns comentários a respeito da ordem constitucional e das sentenças dos juízes. 

      Esse é um tema caríssimo para a saúde do corpo civil porque é por meio da organização da política que é possível instituir as leis que mediarão as relações entre as pessoas; e os juízes têm essa função de julgar os casos perante as leis e fazer a justiça ser realizada. Ou seja, o juiz deve encarnar a vontade do legislador. Entre os sistemas políticos possíveis, os governos constitucionais se sobressaem como possuidores de garantias fundamentais que estabelecem os contornos da vida pública fundamentados na liberdade e igualdade entre os cidadãos.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

CHEGARÁ O ESCLARECIMENTO?

 Por Marcelo Primo 


[Gravura do pintor espanhol Francisco de Goya, O sono da razão produz monstros]


     Revisitando o texto sempre atual de Immanuel Kant “O que é esclarecimento?”, nos deparamos ao final do escrito com uma resposta do filósofo alemão quando supostamente lhes perguntassem se já vivemos em sociedade esclarecida: a resposta é NÃO, afastando qualquer otimismo sempre associado ao seu pensamento crítico em relação à evolução moral da humanidade. No máximo, ele faz uma tímida concessão afirmando que é longa e vagarosa a caminhada em direção a um objetivo maior e deveras nobre que é a tão almejada emancipação intelectual no fim do ciclo da história. O pequeno, mas poderoso texto supracitado nos dá a pensar que, se em épocas de coexistência de célebres filósofos e cientistas, esclarecer-se não era coisa fácil, imaginemos nós hoje, estando no olho do furacão de negacionismos de todo tipo e a certeza e evidência dando lugar à convicções sem fundamento mínimo. Em outros termos, fazemos parte de uma sociedade que faz questão de estar nos antípodas do esclarecimento.

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

A RAZÃO ABORTADA

 Por Marcelo Primo 



        Lançando um olhar para trás, no século XVIII as narrativas sobre o aborto eram contundentemente amparadas tanto na ciência naturalista e positivista, como se apoiavam na estima à tríade ética revolucionária Liberdade, Fraternidade e Igualdade na qual as mulheres, contudo, não tomaram parte alguma. Dessa maneira, a problemática do aborto à época é atrelada ao contexto sociocultural caracterizado pela predominância do indivíduo, da razão e da ciência, sendo um fato social que perpassou a história da vida reprodutiva das mulheres em toda a sociedade com uma retórica peculiar. O século das Luzes foi o palco de avanços e retrocessos no que concerne à condição social e econômica da mulher, com acaloradas discussões sobre a condição feminina. Era a época do surgimento da opinião pública, quando o aborto aparecia nos textos jornalísticos.

sábado, 25 de julho de 2020

UM EMPREENDIMENTO MORAL DE RODRIGUES DÓRIA: Contra usuários de cannabis

Ivan Fontes Barbosa

(DCS/UFS)

José Rodrigues da Costa Dória (1859-1938)

A medicina ocupou um papel de relativo destaque no primeiro quartel do século XX. A pesquisa de Nísia Lima e Gilberto Hochman (Condenado pela raça, absolvido pela medicina: o Brasil descoberto pelo movimento sanitarista da Primeira República) constatou que ela havia se tornado a ciência que propiciaria um alívio para intelectuais que, até então, não enxergavam alternativas para um país que parecia condenado pelos preconceitos raciais em relação à sua composição étnica. A cruzada higienista encetada pelos médicos buscou moralizar hábitos, orientar costumes alimentares e higiênicos, dominar o desvio e evitar a degeneração, justamente no contexto em que a ideia de superioridade das raças já não mais se sustentava como variável sociológica contundente para explicar as desigualdades e diferenças sociais.

O médico sergipano José Rodrigues da Costa Dória (1859-1938), nascido na cidade de Propriá pode ser considerado um importante empreendedor moral, cujo mote era a associação do uso do que ele nomeava de planta da felicidade aos setores populares negros e mestiços e a elevação ao status de verdade às suas impressões sobre as consequências morais e sociais de seu uso. Foi um ator decisivo na cruzada que estabilizou as imagens criminais e psicotrópicas da maconha em detrimento das representações farmacológicas e terapêuticas que orbitavam em torno dela no século XIX.

sexta-feira, 1 de maio de 2020

REFLEXÕES DO 1º DE MAIO


Por Saulo H. S. Silva 
(Professor de Filosofia na UFS)

["O quarto estado", obra do artista italiano Giuseppe Pellizza (1868-1907), põe em foco o proletariado, que entra em greve e ocupa a praça de Volpedo, na Itália, cidade natal do pintor. O quadro se tornou um símbolo da luta dos trabalhadores, que é comemorada no 1o. de maio].
Hoje é 1º de maio, dia internacional d@ trabalhar/a. Sobre esse assunto, vos trago algumas reflexões.
Inicialmente, é preciso ter em mente que não existe qualquer possibilidade de existência humana sem trabalho, sem os esforços das mãos e engenhos dos povos.
O trabalho apropria o que a natureza nos dispõe, cria coisas novas, envolve as sociedades em torno daquilo que por meio dele é produzido.

domingo, 19 de abril de 2020

CONTRIBUIÇÃO PARA UMA HISTÓRIA NATURAL DA PROIBIÇÃO DA MACONHA NO BRASIL

Ivan Fontes Barbosa

(Professor do Departamento de Ciências Sociais da UFS) 




O que faz um tipo de carne ser objeto de apreço ou interdição e proibição? O que faz o uso de uma planta ser desaprovado ou prescrito como medicação? Esses fenômenos sociais traduzem os dispositivos sociais de construção de uma gramática que modela as ações das pessoas. Não é na natureza da carne ou da planta, e seus efeitos sensoriais sobre as pessoas, que encontramos a resposta para as representações sociais que existem e circulam acerca delas. É um axioma da sociologia que todo fato social está inscrito na história e somente nela é possível entendermos as relações de força que determinaram a emergência de certas representações coercitivas sobre o mundo social.

domingo, 12 de abril de 2020

O EMPODERAMENTO DA BURRICE

Por Marcelo Primo*


[Um Caracol) 
  

   Revisitando o texto “A gênese da burrice”, último texto do livro Dialética do esclarecimento, escrito a quatro mãos pelos filósofos alemães Adorno & Horkheimer, me deu o que pensar acerca do atual cenário político brasileiro. Mais especificamente, no sentido de que para ser político e, consequentemente, fazer política, o critério último – e de sucesso – é simplesmente não saber nada da função a qual se foi elevado e designado. Em outros termos, o que predomina e está capitaneando a nação é uma burrice política e, convenhamos, nada tímida à medida que se aproveita da velha e crônica tendência brasileira a perceber e a agir lentamente quando se trata de se opor a tudo que denigre e atrasa o país. 

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