Por Marcelo Primo
(Professor da UFS)
Valho-me hoje do título de um belíssimo filme do Sérgio Bianchi para ilustrar o que vimos há poucos dias ser feito pelos pastores que infestaram e ainda infestam o MEC. Eles simplesmente colocaram um preço na educação brasileira: um quilo de ouro. Propinas e negociações espúrias de toda sorte foram feitas pelos ditos religiosos compromissados com os rumos educacionais do nosso país e, somente agora, tais transações estão sendo alvo de investigação. Sempre priorizados pelo agora ex-Ministro da Educação em nome da amizade, não tiveram o menor escrúpulo em negociarem liberações de recursos, mesmo sem cargos nas pastas. Registros mostram que, pelos trâmites normais e regulares, recursos como esses podem demorar meses ou anos para serem liberados, mas, em contrapartida, com uma espécie de “toque de Midas” dos pastores as verbas levam, no máximo, dias para serem empenhadas. Os porta-vozes dos deuses cumpriram toda a sua agenda formal e, em troca de sua atuação no Ministério, apoiariam as igrejas. Um verdadeiro gabinete que operava nas sombras e que atraiu a atenção de parlamentares da oposição, culminando no recurso ao STF e à PGR e solicitação de abertura de CPI.
