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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

CHEGARÁ O ESCLARECIMENTO?

 Por Marcelo Primo 


[Gravura do pintor espanhol Francisco de Goya, O sono da razão produz monstros]


     Revisitando o texto sempre atual de Immanuel Kant “O que é esclarecimento?”, nos deparamos ao final do escrito com uma resposta do filósofo alemão quando supostamente lhes perguntassem se já vivemos em sociedade esclarecida: a resposta é NÃO, afastando qualquer otimismo sempre associado ao seu pensamento crítico em relação à evolução moral da humanidade. No máximo, ele faz uma tímida concessão afirmando que é longa e vagarosa a caminhada em direção a um objetivo maior e deveras nobre que é a tão almejada emancipação intelectual no fim do ciclo da história. O pequeno, mas poderoso texto supracitado nos dá a pensar que, se em épocas de coexistência de célebres filósofos e cientistas, esclarecer-se não era coisa fácil, imaginemos nós hoje, estando no olho do furacão de negacionismos de todo tipo e a certeza e evidência dando lugar à convicções sem fundamento mínimo. Em outros termos, fazemos parte de uma sociedade que faz questão de estar nos antípodas do esclarecimento.

domingo, 12 de abril de 2020

O EMPODERAMENTO DA BURRICE

Por Marcelo Primo*


[Um Caracol) 
  

   Revisitando o texto “A gênese da burrice”, último texto do livro Dialética do esclarecimento, escrito a quatro mãos pelos filósofos alemães Adorno & Horkheimer, me deu o que pensar acerca do atual cenário político brasileiro. Mais especificamente, no sentido de que para ser político e, consequentemente, fazer política, o critério último – e de sucesso – é simplesmente não saber nada da função a qual se foi elevado e designado. Em outros termos, o que predomina e está capitaneando a nação é uma burrice política e, convenhamos, nada tímida à medida que se aproveita da velha e crônica tendência brasileira a perceber e a agir lentamente quando se trata de se opor a tudo que denigre e atrasa o país. 

segunda-feira, 6 de abril de 2020

O BRASIL, A COVID-19 E A FILOSOFIA IGNORANTE

Saulo H. S. Silva
(Doutor em Filosofia e Professor da UFS)

Francisco Goya (1746-1828) " O Sono da razão produz monstros" 

      É parte da crise da modernidade a ideia segundo a qual a filosofia estava em estado terminal e ensimesmada em decretar o seu próprio fim. O cientificismo exacerbado, o desenvolvimento tecnológico e sua suposta inutilidade frente à dinâmica da vida contemporânea fariam da antiga mãe das ciências uma espécie de estranha no ninho. Nesse caso, a inutilidade da filosofia é outra que aquela tratada por Platão, quando Adimanto questionara a Sócrates acerca da inutilidade dos filósofos para as cidades (A república, livro VI). Aqui, a inutilidade está ligada ao desapego pelo conhecimento na cidade corrompida; no mundo contemporâneo, a inutilidade da filosofia estaria ligada à sua insuficiência frente às ciências e ao avanço da técnica, ao fim da filosofia de sistema, que a pulverizou em diversas disciplinas especializadas, e às transformações da vida social determinadas pelo par consumo-produção. A não adequação a esse ambiente parecia orientar para um cenário de saída da filosofia, de império da razão instrumental e da novidade científica orientada pelo mercado.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

DO ESPAÇO DO MUNDO AO TEMPO DOS HOMENS: a filosofia da história como Teodiceia em Agostinho

Abóbada da Cappella Sistina realizada pelo pintor renascentista italiano Michelangelo Buonarroti  entre os anos de 1508 e 1512, tal afresco consiste em uma representação do Juízo Final inspirada na narrativa bíblica.


Do espaço do mundo ao tempo dos homens: a filosofia da história como Teodiceia em Agostinho (De l’espace du monde au temps des hommes. La philosophie de l’histoire comme théodicée chez Augustin), escrito pela professora da Université de Provence Isabelle Koch e traduzido por Saulo Henrique Souza Silva, foi originalmente apresentado durante o V Colóquio Nacional de Filosofia da História ocorrido na Universidade Federal da Bahia e publicado no livro História e civilização (Genildo F. da Silva (Org.) EDUFBA, 2011). No texto, a autora tem como objetivo analisar o lugar da história na filosofia de Santo Agostinho partindo da reflexão dos maniqueus sobre a geografia da sombra e da luz. A partir dessa perspectiva, Koch demonstra como o pensador da patrística levou a cabo a ressolução do problema inicialmente proposto pelos maniqueus, a saber: De onde vem o mal (unde malum)? A solução para este problema conduz a investigação por diversas obras de Agostinho e culmina na defesa de uma filosofia da história  que tenta responder o problema do unde malum? através da relação entre a lógica do espaço e a lógica do tempo na filosofia agostiniana.



 O texto pode ser baixado através do seguinte link:

 http://www.megaupload.com/?d=Q37Q4E0M



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