Por Marcelo Primo
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| [Gravura do pintor espanhol Francisco de Goya, O sono da razão produz monstros] |
Revisitando o texto sempre atual de Immanuel Kant “O que é esclarecimento?”, nos deparamos ao final do escrito com uma resposta do filósofo alemão quando supostamente lhes perguntassem se já vivemos em sociedade esclarecida: a resposta é NÃO, afastando qualquer otimismo sempre associado ao seu pensamento crítico em relação à evolução moral da humanidade. No máximo, ele faz uma tímida concessão afirmando que é longa e vagarosa a caminhada em direção a um objetivo maior e deveras nobre que é a tão almejada emancipação intelectual no fim do ciclo da história. O pequeno, mas poderoso texto supracitado nos dá a pensar que, se em épocas de coexistência de célebres filósofos e cientistas, esclarecer-se não era coisa fácil, imaginemos nós hoje, estando no olho do furacão de negacionismos de todo tipo e a certeza e evidência dando lugar à convicções sem fundamento mínimo. Em outros termos, fazemos parte de uma sociedade que faz questão de estar nos antípodas do esclarecimento.



