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segunda-feira, 6 de abril de 2020

O BRASIL, A COVID-19 E A FILOSOFIA IGNORANTE

Saulo H. S. Silva
(Doutor em Filosofia e Professor da UFS)

Francisco Goya (1746-1828) " O Sono da razão produz monstros" 

      É parte da crise da modernidade a ideia segundo a qual a filosofia estava em estado terminal e ensimesmada em decretar o seu próprio fim. O cientificismo exacerbado, o desenvolvimento tecnológico e sua suposta inutilidade frente à dinâmica da vida contemporânea fariam da antiga mãe das ciências uma espécie de estranha no ninho. Nesse caso, a inutilidade da filosofia é outra que aquela tratada por Platão, quando Adimanto questionara a Sócrates acerca da inutilidade dos filósofos para as cidades (A república, livro VI). Aqui, a inutilidade está ligada ao desapego pelo conhecimento na cidade corrompida; no mundo contemporâneo, a inutilidade da filosofia estaria ligada à sua insuficiência frente às ciências e ao avanço da técnica, ao fim da filosofia de sistema, que a pulverizou em diversas disciplinas especializadas, e às transformações da vida social determinadas pelo par consumo-produção. A não adequação a esse ambiente parecia orientar para um cenário de saída da filosofia, de império da razão instrumental e da novidade científica orientada pelo mercado.

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