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terça-feira, 31 de maio de 2022

A SOCIEDADE BRASILEIRA PRECISA COMBATER O TERRORISMO POLICIAL

 Por Saulo H. S. Silva 

(Professor da UFS)



      A VIOLÊNCIA no Brasil está cada vez mais aterrorizante, além de crimes e assassinatos comuns, existe uma violência oficial, porque é praticada por entes públicos. Essa espécie de violência oficial vem sendo amplamente levada a cabo por forças policiais em guerra contra a população civil, sobretudo contra os trabalhadores das periferias. São verdadeiras forças capangas de uma elite que perpetua o assassinato, muitas vezes com requintes de crueldade, de pobres, negros, simplesmente, das camadas populares brasileiras.

sábado, 25 de julho de 2020

UM EMPREENDIMENTO MORAL DE RODRIGUES DÓRIA: Contra usuários de cannabis

Ivan Fontes Barbosa

(DCS/UFS)

José Rodrigues da Costa Dória (1859-1938)

A medicina ocupou um papel de relativo destaque no primeiro quartel do século XX. A pesquisa de Nísia Lima e Gilberto Hochman (Condenado pela raça, absolvido pela medicina: o Brasil descoberto pelo movimento sanitarista da Primeira República) constatou que ela havia se tornado a ciência que propiciaria um alívio para intelectuais que, até então, não enxergavam alternativas para um país que parecia condenado pelos preconceitos raciais em relação à sua composição étnica. A cruzada higienista encetada pelos médicos buscou moralizar hábitos, orientar costumes alimentares e higiênicos, dominar o desvio e evitar a degeneração, justamente no contexto em que a ideia de superioridade das raças já não mais se sustentava como variável sociológica contundente para explicar as desigualdades e diferenças sociais.

O médico sergipano José Rodrigues da Costa Dória (1859-1938), nascido na cidade de Propriá pode ser considerado um importante empreendedor moral, cujo mote era a associação do uso do que ele nomeava de planta da felicidade aos setores populares negros e mestiços e a elevação ao status de verdade às suas impressões sobre as consequências morais e sociais de seu uso. Foi um ator decisivo na cruzada que estabilizou as imagens criminais e psicotrópicas da maconha em detrimento das representações farmacológicas e terapêuticas que orbitavam em torno dela no século XIX.

domingo, 19 de abril de 2020

CONTRIBUIÇÃO PARA UMA HISTÓRIA NATURAL DA PROIBIÇÃO DA MACONHA NO BRASIL

Ivan Fontes Barbosa

(Professor do Departamento de Ciências Sociais da UFS) 




O que faz um tipo de carne ser objeto de apreço ou interdição e proibição? O que faz o uso de uma planta ser desaprovado ou prescrito como medicação? Esses fenômenos sociais traduzem os dispositivos sociais de construção de uma gramática que modela as ações das pessoas. Não é na natureza da carne ou da planta, e seus efeitos sensoriais sobre as pessoas, que encontramos a resposta para as representações sociais que existem e circulam acerca delas. É um axioma da sociologia que todo fato social está inscrito na história e somente nela é possível entendermos as relações de força que determinaram a emergência de certas representações coercitivas sobre o mundo social.

quarta-feira, 21 de março de 2012

ARACAJU: ENTRE A EVOLUÇÃO URBANÍSTICA E A DIVERSIDADE ARQUITETÔNICA

Por, Saulo H S Silva


(Vista área do panorama central da cidade de Aracaju  margeando o rio Sergipe (autor desconhecido)



Em 1859 o viajante alemão Ave L’Allement registrou a seguinte impressão de Aracaju: “por toda parte se trabalha, por toda parte se constrói, se cria (...)”. Impressão natural visto que a cidade havia sido fundada há apenas quatro anos para ser a capital da província de Sergipe. Entretanto, um século e meio após a observação do explorador, Aracaju continua uma cidade mutante. Tais mudanças na paisagem aracajuana podem ser apreendidas por sua diversidade arquitetônica e urbanística.
Aracaju, como é do conhecimento geral, foi originalmente planejada por Sebastião José Basílio Pirro seguindo um plano em xadrez, cujas ruas, casas e edificações públicas suplantaram pântanos, braços de rio e areais. Cidade voltada para as margens do Rio Sergipe, pois nascera para ser portuária, o “tabuleiro de Pirro” é marcado pelo traço rígido das ruas e pela sua adaptação à curvatura do rio. Por essa razão, muito se tem dito que “Aracaju é obra voluntária dos homens. Nasceu artificialmente e foi imposta pela arte humana à natureza circundante” (FONTES, 2004, p. 112). Foi nesse ambiente onde se desenvolveu a vida urbana de Aracaju e onde a destreza humana ergueu, ainda no séc. XIX, seus primeiros conjuntos arquitetônicos, rente à antiga Rua da Aurora, conhecida popularmente como Rua da Frente.
São exemplos dessas construções antigas, o prédio da antiga Alfândega, situado na Praça General Valadão, o antigo Paço Provincial, hoje delegacia do ministério da fazenda, na Praça Fausto Cardoso, a igreja de S. Salvador de estilo eclético, localizada na esquina dos calçadões das Ruas Laranjeiras e São Cristóvão, a Ponte do Imperador, na verdade um atracadouro, construída em 1860. Outros monumentos históricos como o Palácio Olímpio Campos, de estilo neoclássico, e a Catedral Metropolitana, edifício eclético que permuta entre o neoclássico e o neogótico, estavam prontos ainda no século XIX. Esse caráter heterogêneo das edificações de Aracaju ganhou relevo na primeira metade do século XX com a construção dos mercados Antônio Franco e Tales Ferraz, e dos prédios de linhas déco, traçados pelo alemão Altenesch, como o “Palácio Serigy, na Praça General Valadão, o Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, à Rua de Itabaianinha” (Aracaju e seus Monumentos, 2005, p. 18). Entre outras construções que embelezaram e diversificaram a arquitetura de Aracaju, a partir de então contando com água encanada, em 1908, iluminada pela luz elétrica, 1913, e em 1926 com bondes elétricos.

Vista parcial do Mercado Thales ferraz, no centro histórico de Aracaju, óleo sobre tela do artista plástico Cleber Tintiliano.


Porém, foi após os anos 50, com a diversificação da economia da cidade, influenciada pela vinda da Petrobras na década de 60, que a arquitetura de Aracaju passou a ter contornos notadamente modernistas. São construídas diversas residências, especialmente na área da Rua Villa Cristina, que seguem os padrões da arquitetura moderna. É nessa época também que Aracaju ganha seu primeiro arranha-céu. O Edifício Atalaia, de frente para o Rio Sergipe, inseriu de maneira ímpar os seus 10 pavimentos no cenário arquitetônico e urbanístico da cidade, comprovando “ser possível uma construção de tal porte em terrenos alagadiços e arenosos” (NERY, 2003, p. 25). A partir de então, Aracaju entrou de vez nos panoramas das altas edificações, as quais, concentradas peculiarmente na região da Praia 13 de Julho, exploram diversos estilos arquitetônicos. Aliado a isso, houve a construção de novos bairros, shoppings, pontes e viadutos, que mudaram rapidamente o cenário aracajuano; esses fatos correspondem à notável evolução urbanística da cidade, cuja população passou de 179. 276 habitantes, em 1970, para 536.785, segundo censo do IBGE de 2008.
Com efeito, a Aracaju do séc. XXI continua uma cidade visivelmente mutante. Entretanto, tais mudanças lançam importantes desafios à sua população e aos seus governantes. Entre eles, o dever de manter sua tradição de cidade planejada, a consciência de preservar seus monumentos mais antigos, a partir da revitalização do Centro Histórico. E, sobretudo, a responsabilidade de equacionar, através de uma discussão mais séria sobre o Plano Diretor da cidade, o crescimento urbano com o cuidado do meio ambiente. Talvez, esse último seja o maior desafio da capital sergipana.

Referências bibliográficas
FONTES, José Silvério Leite. “A evolução de Aracaju”. In: Formação do povo sergipano. Aracaju: Governo do Estado de Sergipe, 2004.
NERY, Juliana C. “Registros: as residências modernistas em Aracaju nas décadas de 50 e 60”. In: V Seminário DOCOMOMO Brasil. São Carlos: CD-Rom do V Seminário DOCOMOMO Brasil, 2003.
SERGIPE, Governo do Estado. Aracaju e seus monumentos: sesquicentenário da capital Aracaju 1855 – 2005. Aracaju: Triunfo, 2005.


O texto acima foi publicado em diversas fontes:

1) Revista Arteambiente. Aracaju, p. 38 - 38, 04 jul. 2009.
2) Jornal Cinform. Aracaju, março de 2010.
3) Quem quiser pode consultar também o texto em publicação eletrônica nos seguintes Links:
http://www.ufs.br/conteudo/aracaju-entre-evolu-urban-stica-diversidade-arquitet-nica-2989.html

http://grupominhaterraesergipe.blogspot.com.br/2014/04/aracaju-entre-evolucao-urbanistica-e.html

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