Ivan
Fontes Barbosa
(DCS/UFS)
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José Rodrigues da Costa Dória (1859-1938)
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A medicina ocupou um papel
de relativo destaque no primeiro quartel do século XX. A pesquisa de Nísia Lima
e Gilberto Hochman (Condenado pela raça,
absolvido pela medicina: o Brasil descoberto pelo movimento sanitarista da
Primeira República) constatou que ela havia se
tornado a ciência que propiciaria um alívio para intelectuais que, até então,
não enxergavam alternativas para um país que parecia condenado pelos
preconceitos raciais em relação à sua composição étnica. A cruzada higienista encetada
pelos médicos buscou moralizar hábitos, orientar costumes alimentares e
higiênicos, dominar o desvio e evitar a degeneração, justamente no contexto em
que a ideia de superioridade das raças já não mais se sustentava como variável
sociológica contundente para explicar as desigualdades e diferenças sociais.
O médico sergipano José
Rodrigues da Costa Dória (1859-1938), nascido na cidade de Propriá pode ser
considerado um importante empreendedor moral, cujo mote era a associação do uso
do que ele nomeava de planta da
felicidade aos setores populares negros e mestiços e a elevação ao status
de verdade às suas impressões sobre as consequências morais e sociais de seu
uso. Foi um ator decisivo na cruzada que estabilizou as imagens criminais e
psicotrópicas da maconha em detrimento das representações farmacológicas e
terapêuticas que orbitavam em torno dela no século XIX.