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terça-feira, 23 de agosto de 2022

PARA QUE SERVEM AS ESCOLAS?

 Por Ivan Barbosa1 

(Professor da UFS) 


O título desse artigo é homônimo de um texto do sociólogo inglês da educação chamado Michael Young, arguto herdeiro de uma tradição intelectual, científica e política voltada para a realização do projeto inacabado da modernidade. A urgência de revisitar em pleno século XXI o projeto oitocentista de escolarização compulsória da juventude, que implica perguntar para que servem as escolas, decorre da necessidade de retomarmos um dos propósitos originários desta instituição que atualmente está sob os ataques e invasões do universo político conservador.

terça-feira, 14 de junho de 2022

INFORMALIDADE E A PRECARIZAÇÃO DA EXPERIÊNCIA LABORAL: a necessária agenda das políticas públicas para o trabalho

 Por  Ivan Fontes Barbosa (DCS/UFS)   e   

           Vilma Soares de Lima (DCS/UFS)


Foto: André Moreira

Gera perplexidade quando nos deparamos com o conjunto de obstáculos que as políticas públicas relacionadas ao trabalho impõem aos comerciantes informais da cidade de Aracaju, em especial, alguns dos comerciantes da vulgarmente denominada praia da Cinelândia: os trabalhadores que comercializam na areia da praia são obrigados a desfazerem as barracas e retirarem as cadeiras e mesas todos os dias, enquanto que os donos de trailers são coagidos a manterem seus empreendimentos abertos 24 horas sob a pena de vê-los apreendidos.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

AS MEDICINAS DA FLORESTA E A DESCOLONIZAÇÃO DA EXPERIÊNCIA ESPIRITUAL E RELIGIOSA BRASILEIRA

 Por Ivan Fontes Barbosa*


(Aplicação de rapé (foto: Lisa Leiding, 2016)


Um importante capítulo da História mundial é o processo de colonização material e simbólica do mundo não ocidental operado pelo ocidente. Este processo, inicialmente economicamente motivado, é multifacetado e a sua consolidação implicou a ativação de uma série de dispositivos culturais, que ampararam a eficácia desse empreendimento. A colonização passou pela incorporação de uma série de formas de pensar e sentir o mundo que governaram, e ainda governam, os limites e as possibilidades de os indivíduos estabelecerem uma relação com o mundo natural e social.

sábado, 25 de julho de 2020

UM EMPREENDIMENTO MORAL DE RODRIGUES DÓRIA: Contra usuários de cannabis

Ivan Fontes Barbosa

(DCS/UFS)

José Rodrigues da Costa Dória (1859-1938)

A medicina ocupou um papel de relativo destaque no primeiro quartel do século XX. A pesquisa de Nísia Lima e Gilberto Hochman (Condenado pela raça, absolvido pela medicina: o Brasil descoberto pelo movimento sanitarista da Primeira República) constatou que ela havia se tornado a ciência que propiciaria um alívio para intelectuais que, até então, não enxergavam alternativas para um país que parecia condenado pelos preconceitos raciais em relação à sua composição étnica. A cruzada higienista encetada pelos médicos buscou moralizar hábitos, orientar costumes alimentares e higiênicos, dominar o desvio e evitar a degeneração, justamente no contexto em que a ideia de superioridade das raças já não mais se sustentava como variável sociológica contundente para explicar as desigualdades e diferenças sociais.

O médico sergipano José Rodrigues da Costa Dória (1859-1938), nascido na cidade de Propriá pode ser considerado um importante empreendedor moral, cujo mote era a associação do uso do que ele nomeava de planta da felicidade aos setores populares negros e mestiços e a elevação ao status de verdade às suas impressões sobre as consequências morais e sociais de seu uso. Foi um ator decisivo na cruzada que estabilizou as imagens criminais e psicotrópicas da maconha em detrimento das representações farmacológicas e terapêuticas que orbitavam em torno dela no século XIX.

domingo, 19 de abril de 2020

CONTRIBUIÇÃO PARA UMA HISTÓRIA NATURAL DA PROIBIÇÃO DA MACONHA NO BRASIL

Ivan Fontes Barbosa

(Professor do Departamento de Ciências Sociais da UFS) 




O que faz um tipo de carne ser objeto de apreço ou interdição e proibição? O que faz o uso de uma planta ser desaprovado ou prescrito como medicação? Esses fenômenos sociais traduzem os dispositivos sociais de construção de uma gramática que modela as ações das pessoas. Não é na natureza da carne ou da planta, e seus efeitos sensoriais sobre as pessoas, que encontramos a resposta para as representações sociais que existem e circulam acerca delas. É um axioma da sociologia que todo fato social está inscrito na história e somente nela é possível entendermos as relações de força que determinaram a emergência de certas representações coercitivas sobre o mundo social.

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