Por Marcelo Primo*
![]() |
| [Chanceler ignorante Ernesto Araújo] |
O título escolhido do podcast de hoje é uma frase comum e
equivocadamente atribuída a Charles de Gaulle, quando na verdade foi proferida
em off em 1962 pelo embaixador
brasileiro em Paris Carlos Alves de Souza, autor do livro Um embaixador em tempos de crise. Tal frase se insere no contexto
de um conflito diplomático envolvendo o Brasil e a França chamado pela imprensa
de “Guerra da Lagosta” que concernia à questão de pesca ilegal de lagostas por
embarcações francesas em águas do litoral do Nordeste brasileiro, episódio que
ensejou até um samba chamado “A lagosta é nossa”, de Moreira da Silva. A
opinião pública à época percebeu uma afronta da França à soberania territorial
brasileira e, apesar de no desenrolar dos acontecimentos ambas as nações
mostrarem todo o poder bélico que tinham para defenderem seus interesses, o
conflito foi resolvido diplomaticamente.
Todavia, a despeito da verdadeira autoria desse ácido diagnóstico político, social, ético, moral, econômico e todos os aspectos que ele possa abarcar, leva-nos a pensar que, nesses tempos pandêmicos, seriedade em decisões acerca de questões fundamentais como a urgente necessidade de vacinação em massa, por exemplo, nunca fica em primeiro plano, e conduzir o país com maturidade e experiência exigidas de quem ocupa um cargo tão eminente é o mínimo esperado de uma política que ainda insiste em negacionismos que estão levando o país à beira do abismo. Nesse sentido, podemos ver como um equívoco da imprensa de há tempos acabou voltando à baila mostrando um Brasil a nu, sintetizando em uma sentença a postura de quem leva tudo a toque de caixa enquanto a população fica à míngua.
