Por Marcelo Primo[1]
(Professor da UFS)
Diante dos acontecimentos ocorridos no pós-eleição, fica difícil não concluir que ações de contestação do resultado das urnas não estejam imbuídos de uma certa patologia quase que crônica. Se pensarmos com Canguilhem, em seu livro O normal e o patológico, que ambas as noções não podem ser separadas umas das outras, isso foi demonstrado através de uma histeria, cegueira e paranoia coletivas quando simplesmente o que foi esperado por quase metade do país não aconteceu: a reeleição de um candidato cujo projeto político-psico-patológico arrastou o Brasil para o fundo do poço. Levo aqui em consideração os perigos e limites de uma psiquiatrização de determinadas atitudes, já que nessa leitura é defendido que são projetos de poder que estão em disputa e não poderiam ser reduzidos a meros casos clínicos, mas cortinas de fumaça que sempre jogam contra a democracia defendendo seus próprios interesses. Contudo, não dá pra negar certas esquisitices em alguns atos de maus perdedores movidos pela estupidez e ressentimento, os quais rechearam as manchetes de todos os espaços de comunicação por dias e semanas, servindo de caricatura para mostrar do que é capaz alguém que não aceita uma derrota.

