quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

AS REDES SOCIAIS E SEUS DILEMAS

Por Saulo H. S. Silva  



   O tema de nossa reflexão versa sobre os impactos das redes sociais na dinâmica das sociedades conectadas. A esse respeito, faz algum tempo que as tecnologias digitais e a amplidão da influência das redes sociais têm provocado análises profundas a respeito do seu impacto na vida dos indivíduos e na dinâmica do tecido social. Essas reflexões aparecem tanto em filmes e séries, como o recente “Dilema das redes” (2020) ou na produção nacional “Onisciente” (2020), quanto na clássica série “Black Mirror” (2011). Como também é tema de diversas investigações acadêmicas a respeito do modo pelo qual os indivíduos e as sociedades se relacionam com essas tecnologias.

  Esse tema dá ensejo a uma vertente da filosofia da tecnologia que trata da crítica à maneira como ocorrem as interações sociais no âmbito dessas mídias sociais. Dessa forma, as questões abordam desde a relação entre redes sociais e liberdade de expressão, redes sociais e emoções, como o problema da verdade sobre os conteúdos veiculados, o problema da massificação de conteúdos e opiniões determinadas, do controle dos dados por parte dessas plataformas, bem como dos chamados linchamentos digitais. Todos esses temas estão interligados e são fenômenos decorrentes dessa nova praça pública que são as redes sociais.

   A crítica dessas ferramentas tem denotado mais problemas que soluções no uso dessas plataformas de interações e propagação de conteúdos. E o grande motivador é o fato de que ao fornecermos nossos interesses, opiniões e informações de nossas vidas, esses mecanismos, que articulam algoritmos responsáveis por calcular grandes volumes de dados, ou big data, passam a manipular aquilo que nos aparece, que nos é ofertado. Além disso, por meio dessa mesma inteligência artificial, é possível manipular as ideias, posições, e opiniões que nos chegam; da mesma forma, ela controla o que é a verdade, bem como o crédito de quem é o seu portador.

  No entanto, entre o que é a verdade, o que nos é oferecido, e o portador da mesma, as redes vão moldando as nossas emoções, controlando a nossa felicidade, vigiando as nossas atividades, definindo padrões de pensamento, maneira de atuações, de modo que catapultam boa parte de nosso tempo, de nossas atenções. Tudo é feito pela exposição, para ser veiculado na rede, difundido em busca de curtidas e visualizações. E no final, todas as esferas de nossas vidas ou ocorrem nas redes ou para serem expostas nas redes.

  Essa espécie de controle sobre a dinâmica da vida das pessoas em sociedades conectadas da origem a um comportamento padronizado pelo que o algoritmo nos define; dessa forma, modifica completamente nossos modos de ação e estabelece novas maneiras de interações, cujo algoritmo é o intermediário. Todo esse controle foi amplamente explorado na emblemática série "Black Mirror", bem como é tema do recente documentário o ‘Dilema das redes”, esse último protagonizado por engenheiros de empresas como Facebook e Youtube.

  Assim, manifestações políticas deixam as ruas e tomam as redes, mas a redes têm dono e, portanto, interesses próprios e peculiares, por isso, manipulam as ideias e opiniões, excluem contas e bloqueiam indivíduos. Por conta dessa massificação e controle social proporcionado pelas redes, nossas felicidades e sucessos futuros devem ser medido pela quantidade de seguidores, curtidas e visualizações do que fazemos e expomos, como também é lá o ambiente do julgamento que torna as redes espaços de exposições e linchamentos públicos sobre as mais diversas questões.

 Ao fim e ao cabo, na medida em que essas redes avançam, o ambiente virtual vai se sobrepondo à vida real, e no futuro próximo as consequências podem ser bem catastróficas.

Nenhum comentário:

Em Alta