Por, Hermann Hoffman
(Acadêmico de Medicina em Cuba)
O último 02
de abril deve ser batizado como o dia da vergonha nacional. A data foi marcada
por uma reunião no auditório Petrônio Portella, do Senado Federal, e contou com
a assistência de quase 500 médicos, além da minguada presença de parlamentares,
como o senador Paulo Davim (PV/RN) e o deputado Eleuses Paiva (PSD/SP),
representantes dos interesses da categoria. A confraria, que foi denominada
"ato em favor da saúde pública e dignidade na medicina”, visou buscar
forças para impedir que jovens brasileiros formados nos exterior venham a trabalhar
em localidades onde muitos médicos formados no Brasil não querem ir. O ato no
Senado, que marcou o dia da vergonha
nacional, também intencionou potencializar os obstáculos para impedir o
avanço de um acordo no qual o Brasil contratará mais de 6 mil médicos cubanos
para trabalhar nos interiores do país.
Toda a
agitação do Conselho Federal de Medicina (CFM) tem revoltado a sociedade
brasileira, sobretudo quando o presidente da entidade, Roberto Luiz d’Ávila,
diz que o Brasil não precisa de médicos. Tal hipocrisia está sendo repetida por
outras entidades nos últimos meses após o Governo Federal ter anunciado
propostas para melhorar a oferta de médicos e a distribuição geográfica a
partir da criação de novas modalidades de revalidação dos diplomas, eliminando
o injusto Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos (Revalida),
instrumento letal do CFM para impedir a atuação dos brasileiros formados em
medicina no exterior. Segundo d’Ávila, referindo-se a contratação de médicos
estrangeiros e revalidação dos diplomas, afirma que o emprenho do Governo
Federal "trata-se de proposta improvisada, imediatista e midiática, que
ignora as questões estruturais do trabalho médico no SUS”. Atualmente, existem
mais de 10 mil jovens brasileiros estudando medicina no exterior, em países
como a Argentina, Cuba, Bolívia, Paraguai, Peru, China, Rússia, entre de
outros.
Por sua vez,
datado de 04 de abril, após somente 48 horas do dia da vergonha, o CFM
encaminhou um ofício, com uma pobre redação, para a Presidenta Dilma. O
documento inicia mencionando o "compromisso dos médicos com o país”. Sobre
isso, não sabemos mensurar qual o compromisso, de quais médicos sobre qual
país. No documento órfão de audiência governamental o CFM além de outros
pontos, também faz sugestões ao Governo Federal para interiorizar os médicos.
É importante
que a sociedade brasileira tome conhecimento destas verdades. As entidades
médicas do Brasil, gerenciadas pelo CFM, que ultimamente posam de vítimas, não
admitem que o filho de trabalhador, do operário e do construtor possa ser
médico, pela mesma lógica que as velhas oligarquias não admitiam que um
metalúrgico e sem curso superior fosse presidente do Brasil.
Neste ritmo,
está claro para a sociedade que realmente necessita dos serviços médicos qual é
o grande problema do Brasil na esfera da saúde pública: mais médicos
comprometidos e qualificados, humanos e solidários, dispostos a exercer a nobre
profissão nas localidades mais necessitadas. Partindo deste princípio, beneficiar
a sociedade não é reunir 500 médicos (em Roraima, por exemplo, existem somente
596 médicos) enclausurados no "puro” ar condicionado do Senado Federal
para discutir como atrapalhar a vida dos que querem trabalhar para a sociedade.
Beneficiar e proteger a sociedade das doenças é ver todos estes médicos
reunidos desenvolverem um trabalho social e voluntário nas comunidades
carentes. O desafio está lançado!

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