TENTAÇÃO NA ALDEIA*
(Franz Kafka)
Em um dia de verão, ao anoitecer, cheguei
em uma aldeia onde eu nunca tinha ido. Observei com espanto o quanto os
caminhos eram largos e afastados. Via-se por toda a parte árvores velhas muito
altas em frente às fazendas. Tinha chovido, o vento era fresco, tudo isso me
agradava bastante. Eu me aplicava em mostra-lo saudando as pessoas em pé diante
de suas portas e elas respondiam amavelmente, mas não sem reticência. Eu pensei
que seria agradável passar a noite nesta localidade se, contudo, eu encontrasse
um albergue.
No momento mesmo em que passava em frente
a um grande muro de celeiro todo coberto de folhagem, uma pequena porta se
abrira no muro, três rostos mostraram-se, desapareceram, e a porta se fechara.
-- Bizarro, eu disse, virando-me para o lado
como se tivesse companhia. E, de fato, como para suscitar meu desconforto, um
homem bem alto vestido com um colete negro de tricô, sem chapéu nem casaco, se
encontrara ao meu lado fumando um cachimbo. Eu me recompus rapidamente e disse,
fingindo já saber que ele estava lá:
-- A porta! Você também viu como essa
portinha se abriu?
-- Sim, disse o homem, mas em que isso é
bizarro? São os filhos do agricultor. Eles ouviram os teus passos e quiseram
ver quem andava lá tão tarde à noite.
-- Certamente, a explicação é simples, digo
eu sorrindo, tudo parece facilmente bizarro a um estranho. Agradeço-te. E
continuei o meu caminho. Mas o homem me seguia. Não fiquei surpreso, poderia
ser que ele tivesse o mesmo caminho que eu, mas isso não explicava porque
deveríamos andar um atrás do outro e não lado a lado.
Eu me virei e disse:
-- É o melhor caminho para chegar ao
albergue?
O homem parou e disse:
-- Não temos albergue ou, melhor, temos um,
mas ele é inabitável. Ele pertence à comunidade, mas como ninguém quis
compra-lo a comunidade o cedeu há muitos anos para um velho inválido que até
agora está sob sua responsabilidade. No momento, é ele que tem o albergue com a
sua mulher, e, de tal maneira, quando se passa em frente à porta o ar que sai
de lá empesteia. Na sala, o pé desliza na sujeira. Miserável negócio, uma
vergonha para a aldeia, uma vergonha para a comunidade.
Eu tinha vontade de contradize-lo; seu ar,
seu rosto, sobretudo, me incitavam, rosto magro somado às suas faces
amareladas, alongadas, rechonchudas, percorridas por rugas negras, que se
deslocavam conforme aos movimentos do maxilar.
Olha, disse eu sem mais me espantar a
respeito desse estado de coisas, depois continuei:
-- Entretanto, é lá que vou habitar, já que
decidi passar a noite aqui.
-- Neste caso, certamente, disse o homem
precipitadamente, mas para chegar ao albergue, é preciso ir por ali, e me
mostrou a direção de onde vim. Vá até a próxima curva e pegue à direita. Verá
em seguida uma placa de albergue. É lá.
-- Eu o agradeci pela informação e passei
por ele que, nesse momento, me observava bem de perto. Evidentemente, eu estava
sem armas diante da possibilidade de ele ter me indicado uma falsa direção. Em
compensação, eu podia garantir em não me deixar desarmar nem pelo fato que me
forçava a passar na frente dele, nem por sua pressa surpreendente de abandonar
suas advertências sobre o albergue. O albergue, qualquer um poderia também me
indica-lo, e se ele estava sujo, eu seria capaz por uma vez de dormir na
sujeira, visto que meu espírito de independência fosse satisfeito. Aliás, eu
não tinha escolha, já escurecia, as estradas estavam alagadas pela chuva e o
caminho era longo até a próxima vila.
Eu
tinha deixado o homem atrás de mim e eu contava então não mais ocupar-me dele
de todo, quando ouvi uma voz de mulher falar-lhe. Virei-me. Sob um grupo de
plátanos, uma mulher grande surgiu diretamente da escuridão. O seu vestido
tinha reflexos de um castanho amarelado, a sua cabeça e ombros estavam cobertos
com um lenço negro em grossas malhas.
-- Volte, disse ela, porque não vem?
-- Eu vou, disse ele, espere mais um pouco.
Quero ficar pra ver o que esse homem vai fazer. É um estrangeiro. Ele anda no
país sem a menor necessidade. Observe-o.
Falava de mim como se eu fosse surdo ou não
compreendesse a sua língua. Sem dúvida, eu não dava muita importância ao que
ele dizia, mas naturalmente me desagradou que ele apregoasse não que falsos
rumores a meu respeito na vila. Então digo para a mulher:
-- Busco o albergue, nada de mais. O seu
marido não tem o direito de falar de mim nesses termos e de te levar talvez a
fazer um mau juízo de mim.
É com dificuldade que a mulher olha pra mim,
ela volta a seu marido – eu tinha visto pensando que era o seu marido. Havia
entre eles relações tão diretas, tão naturais –e coloca a mão sobre seu ombro:
-- Se quiser alguma coisa, dirija-se ao meu
marido e não a mim.
-- Eu não quero nada, eu disse, furioso por
ser tratado dessa maneira, não me preocupo com você, retribua-me então o favor,
é tudo que lhe peço.
A cabeça da mulher estremecia. Eu pude ainda
me dar conta no escuro, mas não vi mais a expressão de seus olhos. Ela quis
aparentemente responder alguma coisa, mas seu marido lhe disse: “Cale-se!” e
ela se calou.
Esse encontro parecia-me definitivamente
resolvido. Eu virei as costas, decidido a continuar o meu caminho, quando
alguém chamara: “Senhor”. Era sem dúvida a mim que se reportava. Por um
instante eu não soubera de onde vinha a voz, depois percebi acima de mim um
jovem homem que, assentando as pernas dependuradas sobre o muro da fazenda,
batia os joelhos um contra o outro e me dizia com um tom negligente:
-- Ouvi dizer que quer passar a noite na
aldeia, mas não encontrará em nenhuma parte alojamento possível, salvo aqui,
nesta fazenda.
-- Nesta fazenda, disse, e lance um
involuntariamente um olhar interrogador – isto me deixou furioso
consequentemente – sobre o homem e a mulher que estavam sempre lá, apertados um
contra o outro e me observavam.
-- É assim, ele disse, e havia arrogância em
sua resposta, como em toda as suas atitudes, aliás.
-- Alugam leitos aqui? Perguntei mais uma vez
para estar seguro e para obrigar o homem a se colocar no papel de senhorio.
-- Sim, disse ele, e seu olhar estava um
pouco desviado de mim, cedemos leitos para a noite, mas não para todo mundo,
unicamente a quem eles são ofertados.
-- Eu aceito, eu disse, mas naturalmente
pagarei tanto o leito como o albergue.
-- Por favor, disse o homem que há muito
tempo olhava por cima de mim sem me ver, você não será lesado.
Estava sentado acima como o mestre, eu estava
embaixo como o doméstico. Eu tinha vontade de lhe jogar uma pedra para
obriga-lo a se animar um pouco. Em vez disso, falei:
-- Então, abra-me a porta.
-- Ela não está fechada, disse ele.
-- Ela não está fechada, eu repeti
murmurando. Quase sem me aperceber, abri a porta e entrei. Logo que entrei, olhei
por acaso sobre o muro e o homem não estava mais. É preciso crer que ele tinha
saltado abaixo a despeito da altura do muro e, agora, talvez estivesse em
conferência com o casal.
-- Livres para concertarem-se, o que poderia
acontecer a um jovem homem como eu que possuía um pouco mais de três florins em
espécie e ter, de resto, não mais do que uma camisa própria em sua mochila e um
revolver no bolso de sua calça. Essas pessoas, aliás, não tinham de todo o ar
decidido de roubar alguém. Mas então, que poderiam querer de mim?
O jardim era mal arrumado, que encontramos
comumente nas grandes fazendas. O seu sólido muro de pedra tinha prometido
mais. Cerejeiras desfloridas, divididas de modo regular, erguiam-se na grama
alta. Via-se ao longe a casa do fazendeiro, um edifício comprido e reduzido ao
térreo. Já escurecia, eu era um hóspede tardio. Se o homem empoleirado sobre o
muro tivesse me dito alguma mentira, eu arriscava muito a me encontrar em uma
posição desagradável. No caminho, não encontrei ninguém, mas chegando a alguns
passos da casa, percebi, pela porta aberta na primeira sala, dois grandes
idosos, o marido e a mulher que, sentados de costas um para o outro e o rosto
virado para a porta, comiam uma espécie de papa em um prato. Eu não distinguia
nada de mais preciso no escuro, havia somente no casaco do homem alguma coisa
que brilhava, como ouro. Os botões, sem dúvida, ou talvez sua corrente do
relógio.
Eu os saudei e disse em seguida, sem
entretanto cruzar o limiar:
-- Como eu buscava justamente um lugar para
passar a noite na aldeia, um jovem homem sentado no muro de seu jardim me disse
que pagando pode-se uma noite na fazenda.
Os dois velhos tinham colocado suas colheres
na papa, estavam encostados em seu banco e me observavam em silêncio. A sua
atitude não tinha nada de muito convidativa. É porque acrescentei:
--
Eu espero que a informação que me deram esteja correta e que eu não os
importunado inutilmente.
-- Eu disse isso muito alto, porque eles eram
também ruins de ouvido.
- Aproxime-se, disse o homem depois de um
tempo.
É unicamente porque era tão velho que
obedeci-lhe. De outro modo, naturalmente teria exigido dele uma resposta tão
clara como foi a minha questão. Seja o que for, eu disse cruzando o limiar:
-- Se o fato de me hospedar devia causar-lhe
o menor tédio, por ínfimo que seja, diga-me francamente, eu não insisto. Irei
ao albergue, isso me é absolutamente igual.
-- Ele fala tanto, disse a mulher em voz
baixa.
Isso não podia ser dito senão na intenção de
me insultar. Assim, respondia as minhas gentilezas com insultos, mas era uma
mulher velha e eu não podia me defender. E talvez era justamente por causa
dessa impotência em me defender que a observação da mulher – a qual eu não
ousava ripostar – agia sobre mim muito mais profundamente que ela não merecia
eu fazê-lo. Eu sentia aí alguma coisa que autorizava não sei que reprovação,
não porque eu tinha falado muito, pois eu efetivamente não disse senão o
necessário, mas por outras razões que tocavam muito de perto à minha
existência. Eu não disse mais nada, não insistir para obter uma resposta,
avistei um banco próximo em um canto escuro e ali me sentei.
Os velhos recomeçaram a comer, uma jovem moça
saiu de um quarto vizinho e pusera uma vela acesa sobre a mesa. Enxergava-se no
momento ainda menos do que antes, tudo estava contraído no escuro, só a pequena
chama vacilava acima da cabeça ligeiramente inclinada dos velhos. Muitas
crianças vindas do jardim entraram correndo, um deles caiu no chão e começou a
chorar, os outros pararam no meio de seu curso e ficaram dispersos no quarto. O
velho disse: “Vão dormir, crianças”.
Logo, eles se juntaram. Do que chorava só se
ouvia soluços. O menor me pega pelo casaco, como se pensasse que eu devesse
acompanha-los. E, visto que eu tinha efetivamente vontade de ir me deitar
também, eu me levantei e deixei o quarto sem dizer nada, como adulto, em meio a
crianças que diziam boa noite com uma voz forte e unida. O rapazinho afável me
pegava pela mão, o que permitia me orientar facilmente no escuro. Logo,
chegaríamos a uma escada que escalaríamos e iríamos ao sótão. Percebia-se uma
magra lua crescente por uma pequena claraboia aberta no teto. Era um verdadeiro
regozijo de andar em cima – a minha cabeça quase a ultrapassava – e respirar o
ar ao mesmo tempo tépido e fresco. Palha era colocada em monte de terra, contra
um muro. Havia também bastante lugar para eu pudesse me deitar também. As
crianças – dois meninos e três meninas – se despiram rindo. Eu me lancei sobre
a cama todo vestido, depois de tudo. Eu estava entre estranhos e não podia
pretender ser aceito nesta casa. Apoiado sobre os cotovelos, eu olhei um
instante as crianças que jogavam em um canto, metade nus. Depois eu me senti
tão cansado que coloquei a cabeça sobre a minha mochila, estirei meus braços,
deixei meus olhos vaguearem um pouco sobre as vigas do teto e dormi.
Em meu primeiro sono, acreditei ainda ouvir
um dos filhos gritar: “Atenção, ele vem!”, depois o barulhinho das crianças
correndo para as suas camas em minha consciência dissolvendo-se.
Eu certamente tinha dormido muito pouco,
porque quando eu despertei, a luz da lua caia no mesmo lugar sobre o assoalho,
quase sem mudança. Tendo dormido um sono profundo e sem sonhos, eu não
compreendia porque tinha despertado. É então que vejo a meu lado, talvez à
altura da minha orelha, um cão minúsculo e desgrenhado, um desses repugnantes
cachorrinhos com a cabeça relativamente grande e enquadrada com pelos
encaracolados, na qual os olhos e o focinho são encaixados suavemente, tais
como joias talhadas em algum bloco de chifre inerte. Por qual acaso esse cão,
um cão de cidade grande, veio à aldeia? O que é que o levava a circular na casa
à noite? Por que ele ficava perto da minha orelha? Eu cuspi como um gato para
fazê-lo partir. Era talvez um brinquedo para crianças e estava sem dúvida
simplesmente deixado perto de mim. Meu cuspe o afastara, mas ele não se foi de
vez, contentou-se em voltar e ficar de pé sobre suas pequenas patas torcidas,
mostrando um corpo que parecia pequeno e murcho, sobretudo em comparação com a
sua cabeça grande. Como ele estava tranquilo eu quis dormir, mas não o podia,
eu não cessava de vê-lo no ar. Quase diante de meus olhos fechados, o cão que
se balançava e os olhos que lhe saíam da cabeça. Era insuportável, eu não podia
manter esse animal perto de mim. Eu me levantei e o peguei em meus braços para
leva-lo para fora. Mas o animal até aí tão apático começa a se defender e tenta
me pegar em suas garras. Eu fui então forçado a prender também as suas pequenas
patas, o que não deixava de ser fácil pois eu podia mantê-las todas as quatro
em uma mão.
- Aí, meu cãozinho, digo me pendendo para a
pequena cabeça excitada na qual os laços se sacudiam e eu parti com ele no
escuro em busca da porta. Eu não notara agora o quanto o cão estava silencioso.
Ele não latia nem ladrava, mas o sangue batia furiosamente em todas as suas
artérias, eu bem o sentia. Após ter dado alguns passos – minha atenção voltada
para o cão me tornava imprudente – eu mirei, para minha decepção, sobre um dos
filhos que dormiam. Fazia completamente escuro agora no sótão, a pequena claraboia
não deixava mais passar senão um pouco de luz. A criança suspirou, fiquei
imóvel um instante, sem mesmo retirar a ponta do meu pé temendo desperta-la
ainda mais por uma mudança de posição. Era muito tarde, eu vi subitamente as
crianças se erguerem em torno de mim em suas camisas brancas, como se lhe
dessem a palavra, como em uma ordem. Não era minha culpa, eu não tinha acordado
senão uma criança. Esse despertar ainda não tinha sido um, não era senão um
ligeiro incômodo sobre o qual um sono de criança facilmente triunfaria. E eis
que estavam todos despertos:
-- Crianças, eu disse, que querem? Vão
dormir.
-- Você traz alguma coisa, diz um menino e
todos os cinco bisbilhotam-me.
-- Sim, eu disse, não tenho nada a esconder.
Se quiserem levar o cão, tanto melhor. Eu levo este cão para fora. Ele me
impediu de dormir. Sabem a quem ele pertence?
-- À Senhora Cruster, é ao menos o que
acreditei discernir de suas exclamações confusas, indistintas, adormecidas,
previstas unicamente em seu uso mútuo e não para mim.
-- Então quem é a senhora Cruster? Perguntei,
mas não recebi nenhuma respostas das crianças agitadas. Uma delas me tomou o
cão, agora bem calmo, e o levara rápido enquanto todas a seguiam.
Eu não queria ficar aqui sozinho. A minha
sonolência, aliás, passou. Hesitei um instante, parecia-me que eu misturei
demasiado aos negócios desta casa onde ninguém tinha me mostrado muita
confiança, mas eu acabei correndo atrás das crianças. Eu ouvia seus pés
tatearem quase na minha frente, mas na escuridão total e nesses caminhos
desconhecidos, eu tropeçava toda hora e dei de cabeça uma vez dolorosamente
contra o muro. Reencontramo-nos enfim no quarto onde eu tinha encontrado os
velhos. Estava vazio. Pela porta aberta, via-se o jardim banhado de raios do
luar: “Vai lá fora, disse a mim mesmo, a noite está quente e clara. Poderá
continuar a caminhar ou mesmo dormir ao relento. É verdadeiramente bastante
absurdo ficar aqui correndo com essas crianças”. Mas eu continuava a correr,
não tinha deixado no sótão, além do mais, meu chapéu, minha bengala e minha
mochila? Mas como as crianças corriam! Este quarto iluminado pela lua elas o
tinham atravessado voando em suas camisas flutuantes, em dois saltos, assim
como eu o tinha visto distintamente. Veio-me a ideia de que assustando as
crianças, organizando uma corrida através da casa, semeando o rumor sobre a
minha passagem em lugar de dormir (os passos das crianças com os pés descalços
eram com dificuldade perceptíveis ao lado de minhas pesadas botas), e ignorando
além disso quais podiam ser as consequências de tudo isso, eu agradeci
dignamente esta casa pela pouca hospitalidade que ela tinha.
Repentinamente, uma viva luz apareceu. Diante
de nós, em um quarto onde se abriam amplamente várias janelas, uma mulher
delicada estava sentada em uma mesa e escrevia à luz de um grande e elegante
abajur. “Crianças!”, gritava ela, espantada. Ela não me via ainda, eu fiquei em
frente à porta, no escuro. As crianças colocaram o cão sobre a mesa. Elas
pareciam amar muito esta mulher, tentavam olha-la nos olhos. Uma menina lhe
pegou-lhe a mão e a acariciava. Ela deixava fazê-lo, vendo com dificuldade. O
cão estava colocado diante dela sobre a carta que ela estava escrevendo. Ele
lhe estendia a sua pequena língua tremulante que se soltava claramente, quase
diante do abajur. As crianças pediram a autorização de ficar e mimaram a mulher
para obter-lhe o consentimento. Ela estava indecisa, se levantara, estendeu o braço,
designa com a mão a única cama e o chão duro. Mas as crianças não quiseram
parar aí e se deitaram na terra, por acaso do lugar onde se encontravam. Com as
mãos cruzadas sobre os joelhos, a mulher observava as crianças sorrindo. De vez
em quando, uma criança levantava a cabeça, mas como ela via que as outras
estavam sempre deitadas, ela se deitava de novo também.

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