TENTAÇÃO NA ALDEIA*
(Franz Kafka)
Em um dia de verão, ao anoitecer, cheguei
em uma aldeia onde eu nunca tinha ido. Observei com espanto o quanto os
caminhos eram largos e afastados. Via-se por toda a parte árvores velhas muito
altas em frente às fazendas. Tinha chovido, o vento era fresco, tudo isso me
agradava bastante. Eu me aplicava em mostra-lo saudando as pessoas em pé diante
de suas portas e elas respondiam amavelmente, mas não sem reticência. Eu pensei
que seria agradável passar a noite nesta localidade se, contudo, eu encontrasse
um albergue.
No momento mesmo em que passava em frente
a um grande muro de celeiro todo coberto de folhagem, uma pequena porta se
abrira no muro, três rostos mostraram-se, desapareceram, e a porta se fechara.
