Saulo H. S. Silva[1]
Com a chegada do final da campanha eleitoral de 2022, a festa da democracia se a aproxima do momento máximo que se efetiva no dia de pôr o voto na urna. É consenso entre os especialistas em eleições brasileiras que se trata de um sufrágio que tem mobilizado amplamente a opinião pública e o humor do eleitor. Afinal, são tantas coisas a ponderar e tantos votos a definir que muita gente tem questionado, sobretudo os indecisos, “como deverei direcionar o meu voto?”.
Inicialmente,
é importante que os sufragistas, você mesmo, eleitora e eleitor, defendam o
processo eleitoral e não deixem de ir às urnas. É essa a primeira tomada de
decisão na qual as pessoas reafirmarão o seu compromisso com a democracia e com
a soberania popular. Isso é fundamental porque demonstrará que a vontade popular
não deve ser questionada e toda atitude golpista, mesmo oriunda apenas do
desespero, deve ser rechaçada; o comparecimento no dia das eleições é um chega
para lá no autoritarismo.
Para
além dessa deliberação inicial— votar e favorecer a soberania popular—, é
preciso saber em quem votar. Mas, por que saber em quem votar é tão importante?
Simplesmente, porque eleitos e eleitas serão nossos representantes nas esferas
de poder e decidirão, direta ou indiretamente, o futuro do seu estado e do país
pelos próximos quatros anos, no caso do Presidente da República e dos
representantes na Câmara Federal e nas assembleias legislativas, ou ainda por
oito anos, no caso do mandato para o Senado. Logo, é preciso muita
responsabilidade para que o voto não seja um grande engano e acabe por eleger
alguém que, ao invés de ajudar a melhorar a sua vida, irá prejudicá-la por meio
de atos torpes e decisões desviadas do bem comum.
Esse
é justamente o primeiro elemento que o eleitor deve estar atento, a escolha de
um representante deve ser pautada pelas intensões, projetos, pela confiança que
este ou aquela candidata tem a nos oferecer. Então, é possível afirmar que o
critério fundamental consiste na certeza de que o futuro representante, seja em
qual nível for, estará lá para trabalhar em prol do bem comum. As classes
populares devem deter bastante atenção a esse critério de escolha porque é
justamente nesse momento que a população é bombardeada por todo tipo de gente disposta a conquistar um mandato.
O
importante é saber a quem se destinará esse mandato!
Ora,
se o bem comum é sempre o interesse da grande maioria, que é o povo, a classe
trabalhadora, os setores populares da sociedade; logo, o mandato deve ser
compreendido como um pacto de confiança entre o povo e seus representantes, na
previsão de ações que melhorem as condições de vida e dignidade dessas
populações. Por isso, é preciso se contrapor a quem não encarnará essa
obrigação de ser efetivamente um representante do povo.
A partir desse raciocínio, é possível
analisar todos os candidatos e saber em quem de fato pode haver esperança de
trabalhar em prol da população. E sem esse cuidado, os resultados podem ser
lamentáveis, como o exemplo que temos vivenciado atualmente no comando máximo
da nação. Mas, podemos trazer essa mesma deliberação aos outros cargos, por
exemplo, como você gostaria de ver o Estado de Sergipe ser administrado nos
próximos quatro anos? É preciso mais escolas ou delegacias? Mais hospitais ou
clubes de tiro? O que melhora a vida das pessoas? O incentivo ao desenvolvimento
ou à delapidação do patrimônio público? A verdade ou a falsidade de quem troca
de lado a cada eleição? Se você é trabalhador, por que votar em alguém que irá
retirar direitos e conquistas populares?
Esses
questionamentos podem ser empregados para a escolha de deputados estaduais e
federais, e mesmo de senadores. Cada cargo tem a sua função, mas a quem iremos
atribuir a nossa confiança deve, antes de tudo, responder aos interesses que servirá.
À vontade das elites que visam esmagar o povo ou ao interesse da classe que
labora e não quer ser usurpada pelos ricos? Por exemplo, por que votar em um
candidato a senador que quando deputado se empenhou em destruir diretos e
garantias trabalhistas para beneficio próprio?
Enfim,
prezados ouvintes, é nesse momento fundamental de decisão, quando a própria
democracia está em perigo e os estragos por seu enfraquecimento caíram
justamente nas costas de um povo sem direitos, empobrecido e com seus sonhos
reprimidos por viver em um tempo de falta de perspectivas, que mais do nunca
você deverá perguntar: a quem você serve ou irá servir? Ao povo ou a seus opressores?
[1]
Professor de
Filosofia do Colégio de Aplicação da UFS e integrante do Grupo de Ética e
Filosofia Política da mesma instituição.

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