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terça-feira, 14 de março de 2023

A POLÍTICA DE PREÇOS DOS COMBUSTÍVEIS E A ECONOMIA FRANKENSTEIN BRASILEIRA

 Saulo H. S. Silva[1] 






Em pouco mais de dois meses do novo Governo Lula, um intenso debate tem tomado conta da pauta governamental e mobilizado a opinião pública, a saber, a relação do governo com a Petrobras, cujo controle acionário majoritário ainda pertence ao próprio governo. E esse debate tem sido motivado pela discussão em torno da política de preços de combustíveis da empresa. Trata-se de um assunto fundamental porque os combustíveis estão na base da produção e do funcionamento da sociedade; portanto, consiste em tema de interesse geral que deveria submeter o interesse econômico privado à política do bem comum. Mas não é bem assim que se passa!

sexta-feira, 10 de abril de 2020

O INDIVÍDUO E A ROTINA EMBRIAGANTE DA NOVIDADE



Por Saulo H. S. Silva*


(Transporte-público-metrô [Estação da Sé] de São Paulo)


"[...] esse abalo constante de todo o sistema social, essa agitação permanente e essa falta de segurança distinguem a época burguesa de todas as precedentes".
 (Marx, Karl. Manifesto comunista)

Vivemos a tentativa de solapar a ideia de uma sociedade estruturada em conteúdos moralizantes abrangentes, por uma sociedade plural, na qual os valores morais autoritários sejam pulverizados, e a Grande Ética concebida como a aceitação razoável do diferente?
O ritmo estabelecido pelo modo de produção capitalista, ao aprofundar sua determinação dos valores culturais e subjetivos das sociedades, tem reificado, padronizado e criado um modelo de percepção e comportamento verificáveis nas pessoas. Esse processo de padronização impõe às consciências uma transitoriedade irrefletida porque traz consigo a negação da própria individualidade, enquanto singularidade social e intelectual da sociedade plural, cosmopolita e tolerante. Os fenômenos de massa, cada vez mais comuns nestes tempos fugazes, têm transformado em tarefa difícil o emergir das consciências presas a tal rotina embriagante dos dias corridos. Sobreviver a essa dualidade, entre ser uma individualidade e possuir comportamentos padronizados,  requer efetivamente uma postura heroica. 

A promessa era justamente outra, e esse é o grande dilema. Se em um primeiro momento a filosofia moderna instituiu o primado da consciência, da subjetividade, o aprofundamento das opressões econômicas e sociais acabou por anular qualquer possibilidade das individualidades imergirem do sútil encantamento da massificação social e intelectual.

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