Por Saulo H. S. Silva*
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| (Transporte-público-metrô [Estação da Sé] de São Paulo) |
"[...] esse abalo constante de todo o sistema social, essa agitação
permanente e essa falta de segurança distinguem a época burguesa de todas as
precedentes".
(Marx, Karl. Manifesto comunista)
Vivemos a
tentativa de solapar a ideia de uma sociedade estruturada em conteúdos
moralizantes abrangentes, por uma sociedade plural, na qual os valores morais autoritários sejam pulverizados, e a Grande Ética concebida como a aceitação razoável do diferente?
O ritmo
estabelecido pelo modo de produção capitalista, ao aprofundar sua determinação
dos valores culturais e subjetivos das sociedades, tem reificado, padronizado e
criado um modelo de percepção e comportamento verificáveis nas pessoas. Esse
processo de padronização impõe às consciências uma transitoriedade irrefletida porque
traz consigo a negação da própria individualidade, enquanto singularidade social e
intelectual da sociedade plural, cosmopolita e tolerante. Os
fenômenos de massa, cada vez mais comuns nestes tempos fugazes, têm transformado
em tarefa difícil o emergir das consciências presas a tal rotina embriagante dos
dias corridos. Sobreviver a essa dualidade, entre ser uma individualidade e possuir comportamentos padronizados, requer efetivamente uma postura
heroica.
A promessa era justamente outra, e esse é o grande dilema.
Se em um primeiro momento a filosofia moderna instituiu o primado da
consciência, da subjetividade, o aprofundamento das opressões econômicas e sociais
acabou por anular qualquer possibilidade das individualidades imergirem do sútil
encantamento da massificação social e intelectual.
